Ministério da Agricultura estabelece gabinete de crise com UE

De acordo com associação, restringir embarques de carne do Brasil para países do bloco europeu sinaliza tom político e não técnico

Da CNN Brasil, São Paulo
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Em entrevista ao CNN Agro, Renato Azevedo, presidente da Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel), afirmou que o Ministério da Agricultura e Pecuário do Brasil (MAPA) estabeleceu um comitê de crise junto com representantes da União Europeia para discutir a decisão do bloco europeu de restringir as importações de carnes brasileiras e outros produtos por uma questão fitossanitária.

Em nota, o Ministério da Agricultura confirmou que o chefe da delegação do Brasil junto à União Europeia já tem reunião agendada para amanhã (13/5) com as autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a decisão. "O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos", destacou.

Especialistas ouvidos pelo CNN Agro consideram a decisão da UE mais "política" do que econômica e técnica. Nesta terça-feira (12), o bloco publicou uma lista que exclui o Brasil da lista de países aptos a exportar carnes para o bloco. A medida passa a valer em 3 de setembro.

“A questão sanitária não é justificativa para impedir o comércio de mel, o impedimento da exportação não nos preocupa do ponto de vista técnico, pois estamos muito seguros com relação a qualidade do nosso produto”, disse à reportagem Renato Azevedo, presidente da Abemel.

Ele também destaca que ainda é preciso ter clareza sobre a decisão que, segundo ele, teria cunho político, visto as manifestações de agricultores europeus contra o acordo de livre comércio.

De acordo com o documento, animais vivos e destinados à produção de alimentos não poderão ser enviados à UE. Ficam bloqueados bois, cavalos, ovos, peixes, mel e aves.

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) esclarece que o Brasil segue plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu. Não há, neste momento, qualquer proibição das exportações para o bloco.

A medida anunciada está relacionada à implementação de novas exigências regulatórias referentes ao uso de antimicrobianos na produção animal, com entrada em vigor prevista para setembro de 2026. O eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida.

Em nota, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) informou que o Brasil, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e com apoio técnico do setor produtivo privado, prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia acerca das diretrizes técnicas relacionadas aos antimicrobianos, visando ao retorno do Brasil à lista de países autorizados.

A entidade enfatiza que o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias.

A Peixe BR, entidade que representa a piscicultura nacional, informou que está analisando a situação. "Estamos estudando o assunto para definir nosso posicionamento", disse Francisco Medeiros, presidente-executivo da Peixe BR.

Por sua vez, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) afirmou acompanhar com preocupação a lista preliminar da Comissão Europeia e destacou que o documento ainda é preliminar e espera continuidade do diálogo técnico antes da decisão final.

Segundo levantamento da FIEMG, os produtos potencialmente afetados — como carnes bovina e de aves, peixes, lácteos, ovos, mel e derivados — somaram US$ 33,4 bilhões em exportações brasileiras em 2025, sendo US$ 1,81 bilhão destinados à União Europeia. Em Minas Gerais, as exportações desses setores alcançaram US$ 1,9 bilhão, com US$ 82,3 milhões enviados ao mercado europeu.

A entidade reforçou que o Brasil possui sistema sanitário reconhecido internacionalmente e defende que exigências regulatórias sejam baseadas em critérios técnicos e científicos, sem criar barreiras comerciais.