Arrozeiros pedem urgência ao Ministério da Agricultura para conter crise
Produtores negociam o cereal por preço considerado abaixo do custo de produção

Entidades da cadeia produtiva do arroz encaminharam um ofício ao Ministério da Agricultura para reverter a crise de preços presenciada pelo setor na safra 2025/26. As entidades acreditam que as medidas são capazes de preservar a sustentabilidade econômica da produção e evitar alternativas como a redução da área de produção.
Em reunião, nesta terça-feira, com o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o setor arrozeiro pediu pela ampliação do número de parcelas de custeio e de recursos para a comercialização, com o objetivo de reduzir a discrepância entre oferta e demanda.
A fiscalização quanto à tipificação do arroz comercializado no mercado brasileiro também foi tema debatido. Produtores brasileiros exigem padrões de qualidade ao cereal importado de concorrentes como o Paraguai. O ministério alega seguir padrões rigorosos e eficientes de fiscalização acerca do arroz comprado do exterior.
Denis Nunes, presidente da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul) destaca a situação dos arrozeiros em meio a crise de preços. “Trabalhamos no negativo, o produtor não consegue cobrir seus custos com a cotação atual. O prejuízo deve ser revertido, e por isso, precisamos ter resultados positivos ou pelo menos diminuir os prejuízos na safra”, afirmou.
Os produtores de arroz atravessam um quadro de crise econômica com negociações desfavoráveis para o abastecimento doméstico e aumento da concorrência internacional, que passa a ganhar espaço em mercados como São Paulo e Minas Gerais.
O entrave na negociação do arroz segue entre produtores e indústria. Por um lado, produtores buscam negociações na casa de R$ 80,00 por saca de 50kg, enquanto grande parte das negociações acontecem a R$ 55,79, preço estimado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Alexandre Velho, presidente do IRGA, destacou a previsibilidade e equilíbrio do setor. “A cotação atual da saca é quase metade do que esperávamos para cobrir os custos da produção, esse cenário deve se reverter para seguirmos”, destacou.
Medidas emergenciais
A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou a liberação de R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização do arroz da safra 2025/26. A medida busca auxiliar o setor arrozeiro no escoamento da produção e sustentar a renda dos produtores diante da queda nos preços da saca.
A ação prevê o escoamento de aproximadamente 300 mil toneladas das regiões produtoras para os centros consumidores.
Responsável pela maior produção de arroz no Brasil, o Rio Grande do Sul encolheu a área plantada nesta safra para impedir ampla oferta com custos elevados. Segundo o IRGA (Instituto Rio Grandense do Arroz), a redução da área nesta temporada chega a 8,06% e atinge 891,9 mil hectares.
Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra do arroz em 2025/26, a produção brasileira do cereal deve ser de aproximadamente 11 milhões de toneladas. A estimativa indica uma queda de 14% em relação à safra anterior, com redução de 11% na área semeada.
Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a produção global de arroz é esperada em 541,16 milhões de toneladas, com exportações globais estimadas 62,8 milhões de toneladas de arroz beneficiado, volume 5,2% maior que o ciclo anterior.
Entre as entidades, participaram da reunião e ofício, a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Cooperativa de Cereais de Camaquã (COOPACC).


