CNN Talks Agro: BB prorroga crédito de R$ 36 bilhões ao produtor rural

Instituição busca aliviar produtores em cenário de margens apertadas e ajustes financeiros

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
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O financiamento sustentável, a transição energética e a gestão de riscos climáticos foram temas debatidos no CNN Talks Agro, realizado nesta segunda-feira (27), durante a Agrishow. Representantes do setor público e financeiro defenderam maior integração entre crédito, tecnologia e inovação para ampliar a competitividade do campo brasileiro em um momento de ajustes econômicos para o setor.

O superintendente Private do Banco do Brasil, Felipe Duch, afirmou que o agronegócio atravessa uma fase desafiadora, marcada por margens mais apertadas e necessidade de reorganização financeira. Segundo ele, o banco adotou medidas para dar fôlego aos produtores, incluindo prorrogações de cerca de R$ 36 bilhões em operações de crédito.

“É um momento de aprendizado e ajuste, mas seguimos otimistas. Temos recursos disponíveis e expectativa de movimentar R$ 3 bilhões em negócios durante a Agrishow”, afirmou. O executivo destacou ainda que 95% dos clientes da instituição seguem adimplentes, enquanto os demais recebem acompanhamento individualizado em busca de soluções.

Duch ressaltou que o papel dos bancos vai além da concessão de crédito e passa por orientar o produtor rural sobre oportunidades de geração de valor, sustentabilidade e proteção financeira. Segundo ele, cresce a procura por instrumentos como seguro rural, hedge cambial e proteção de preços de commodities.

“O futuro do banco vai muito além do crédito. É ajudar o produtor a aproveitar melhor as oportunidades e agregar valor ao trabalho realizado no campo”, disse.

No painel “Financiamento Estratégico: Crédito, Clima e Geopolítica”, o deputado federal Arnaldo Jardim destacou o potencial estratégico do hidrogênio verde para o agronegócio brasileiro, especialmente na produção de fertilizantes. Segundo ele, a amônia verde, derivada do hidrogênio renovável, pode reduzir a dependência externa do Brasil por insumos agrícolas, além de impulsionar projetos industriais ligados ao aço verde.

“O hidrogênio verde já possui base regulatória e pode ser decisivo para a nossa segurança em fertilizantes e para uma indústria de baixo carbono”, afirmou.

Clima e seguro rural

Outro tema central foi o avanço do seguro rural diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. Jardim defendeu a modernização da legislação do setor e ampliação da cobertura no campo. Para ele, o Brasil precisa avançar também em uma mudança cultural, ampliando o uso do seguro como ferramenta permanente de gestão de risco.

O parlamentar lembrou que a necessidade total de recursos para custeio e financiamento da safra gira em torno de R$ 1,2 trilhão, enquanto o Plano Safra responde por cerca de um terço desse montante. Segundo ele, isso mostra que o mercado privado ganhou protagonismo e que o produtor precisará investir cada vez mais em planejamento e gestão.“O salto necessário para manter produtividade no futuro será de gestão”, afirmou.

Felipe Duch acrescentou que a tecnologia tem ajudado seguradoras a oferecer produtos mais personalizados e acessíveis, enquanto produtores também passaram a buscar mais ferramentas de proteção após perdas recentes provocadas por estiagens e enchentes.

Para a agricultura familiar, a diretora de Inovação para Produção Familiar e Transição Agroecológica do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Vivian Libório de Almeida, destacou políticas como Proagro, Garantia-Safra e programas de mecanização adaptada. Segundo ela, tecnologia e conectividade são fundamentais para elevar produtividade, reduzir custos e manter jovens no campo.“A tecnologia salva famílias, melhora a renda e fortalece a permanência no meio rural”, afirmou.