Biológicos devem responder por metade do mercado até 2050, diz pesquisador

Para estudioso da Embrapa, em 2030, o mercado mundial de controle biológico deve movimentar US$ 18 bilhões, o equivalente a 20% do total de defensivos

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
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O controle biológico na proteção de cultivos pode alcançar 50% do mercado brasileiro até 2050. A projeção foi apresentada pelo pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Meio Ambiente, Wagner Bettiol, durante o BioSummit, realizado em Campinas (SP).

Segundo Bettiol, o setor tem registrado crescimento acelerado nos últimos anos. Em 2025, o controle biológico representou crescimento de 12% do mercado no país. De acordo com o pesquisador, há cinco anos o avanço anual era de cerca de 3%.

O pesquisador afirmou ainda que a expansão do mercado global de pesticidas químicos deve chegar a 5% até 2030, enquanto alguns países já registram redução no uso de defensivos químicos. A estimativa apresentada por ele é de que, em 2030, o mercado mundial de proteção de cultivos movimente cerca de US$ 106 bilhões, sendo aproximadamente US$ 18 bilhões relacionados ao controle biológico, o equivalente a 20% do total.

Entre os fatores apontados como responsáveis pelo avanço do setor estão a demanda dos consumidores por produtos considerados mais “limpos”, dificuldades relacionadas ao registro e desenvolvimento de defensivos químicos e o surgimento de novas tecnologias biológicas.

Bettiol afirmou que grandes produtores rurais brasileiros já utilizam o controle biológico em suas propriedades e avaliou que, em até dez anos, médios e pequenos produtores também poderão adotar essas soluções em maior escala, desde que tenham acesso a capacitação e informação técnica.

“Precisamos ampliar a ciência técnica, treinamentos e levar esse conhecimento para esses agricultores”, afirmou o pesquisador.

O pesquisador também relacionou o uso de biológicos às discussões sobre sustentabilidade e mudanças climáticas. “Para produzir um quilo de pesticida a gente emite pelo menos cinco vezes mais dióxido de carbono do que para produzir a mesma quantidade de biológico. Só isso já mostra o efeito benéfico desse controle aqui para o ambiente”, disse.

Bettiol destacou ainda que a aplicação de agentes biológicos pode contribuir para o aumento da população microbiana no solo, favorecer o desenvolvimento radicular das plantas e ampliar a retenção de carbono no solo, fatores que podem impactar a produtividade agrícola e reduzir as emissões de carbono.