Valor de mercado de defensivos deve crescer cerca de 8% na safra 2025/26

Preços de aplicações chegaram a subir 159% após a pandemia em 2020

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

O mercado brasileiro de defensivos agrícolas deve crescer 8% em valor na safra 2025/26 em relação ao ano-safra anterior, impulsionado principalmente pelas culturas de soja e milho, com base na expansão de área plantada e na intensificação dos manejos. A estimativa é da Kynetec.

Na safra 2024-25, a mais recente consolidada pela consultoria, o setor movimentou R$ 98,7 bilhões, alta de 3% em relação ao ciclo anterior, quando o faturamento foi de R$ 95,9 bilhões, indicando uma recuperação do setor. Em dólar, porém, houve recuo de 7%, de US$ 19,4 bilhões para US$ 18,1 bilhões, influenciado pela desvalorização cambial no período.

De acordo com a consultoria, a taxa de câmbio média passou de R$ 4,94 para R$ 5,46 entre as safras, o que explica a diferença de desempenho entre as moedas. O resultado em reais interrompe a queda registrada em 2023/24, quando o mercado havia recuado 13%.

Na safra 2023/24, apesar de um avanço de 1% na área plantada e de 9% na intensidade de tratamentos, os preços dos insumos caíram, impactando o faturamento do setor. O valor de mercado passou de R$ 110,1 bilhões em 2022/23 para R$ 95,9 bilhões no ciclo seguinte.

Oscilações do setor

Segundo a Kynetec, o comportamento recente do setor reflete oscilações ao longo das últimas safras. 

Os dados da Kynetec mostram cinco safras marcados por significativa elevação de preços de defensivos, a partir da chegada da pandemia de coronavírus, sucedidos por períodos de perdas nos valores dos insumos, conforme o gerente de pesquisas da consultoria, Lucas Alves.

Entre 2020/21 e 2022/23, o valor de mercado passou de R$ 61,4 bilhões para R$ 110,1 bilhões, impulsionado principalmente pela alta nos preços dos insumos. No período, o custo médio por aplicação subiu de R$ 37,93 para R$ 54,15 por hectare.

“Todos os segmentos de produtos foram atingidos pela inflação nos preços, como os herbicidas, principalmente os não seletivos. Uma aplicação que custava R$37,68, em 2020-21, passou a valer, em média, R$97,60 (+159%) em 2022-23”, diz Alves.

A elevação dos preços esteve associada a fatores como restrições de oferta global, com paralisações industriais em países fornecedores, além do aumento nos custos logísticos e da valorização do dólar. Ao mesmo tempo, a alta nas cotações de commodities como soja e milho contribuiu para sustentar a demanda por insumos.

Já na safra 2024/25, a leve recuperação em reais ocorreu em um cenário de aumento da área plantada, estimado em 2%, e manutenção da intensidade de manejo em níveis elevados. Ainda assim, os preços dos defensivos seguiram em trajetória de acomodação, com recuo médio apontado pela consultoria.

O estudo também indica expansão contínua da área potencial tratada no país, que alcançou cerca de 2,39 bilhões de hectares na safra 2024/25, com crescimento ao longo dos últimos ciclos.