Bradesco vê agro no Brasil em novo ciclo de crescimento, mas com mais risco
No Agro Summit 2026, Bradesco BBI destaca avanço da produção e desafios como juros, alavancagem e volatilidade

O agronegócio brasileiro entra em uma nova fase de crescimento, mas com um cenário mais desafiador para produtores e empresas do setor.
A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (10), durante a abertura da terceira edição do Bradesco BBI Agro Summit 2026, que reúne líderes empresariais, especialistas e representantes do setor para discutir as perspectivas para o agronegócio brasileiro.
Na abertura do evento, a diretora do Bradesco BBI Agro, Letícia Cardelli, destacou a transformação do Brasil de grande fornecedor de commodities para uma potência estratégica em segurança alimentar e energética.
Segundo Cardelli, atualmente cerca de um em cada quatro reais gerados pela economia brasileira tem origem no agronegócio. A produção de grãos também avançou de forma expressiva na última década. O país produzia aproximadamente 210 milhões de toneladas há dez anos e caminha agora para uma safra próxima de 360 milhões de toneladas, o maior volume da história, segundo os dados apresentados no evento.
O avanço representa crescimento de cerca de 70% em uma década. Entre os exemplos citados está a expansão da produção brasileira de milho, que nos últimos anos acrescentou ao mercado um volume equivalente à produção anual da Argentina.
O Brasil também consolidou posições de liderança no mercado internacional. O país é o maior produtor e exportador mundial de soja, café e laranja, além de liderar as exportações globais de carne bovina, carne de frango, açúcar e algodão. Também ocupa a terceira posição entre os maiores produtores de milho e a segunda entre os produtores de etanol.
Na avaliação apresentada no evento, aproximadamente um em cada quatro produtos agropecuários comercializados no mundo tem origem brasileira. Em 2025, o agronegócio respondeu por cerca de metade das exportações do país.
Novo ciclo
Apesar dos avanços, o setor passa por um período de ajuste depois de anos de condições especialmente favoráveis. O cenário atual combina margens mais pressionadas em diferentes cadeias, juros elevados, maior alavancagem financeira, volatilidade dos mercados, eventos climáticos mais frequentes e incertezas geopolíticas.
Para Letícia Cardelli, o momento exige que as empresas do setor avancem não apenas em produtividade, mas também em eficiência operacional, disciplina financeira, gestão de riscos, governança e alocação de capital.
A avaliação é de que parte das dificuldades atuais representa uma normalização após um ciclo de forte expansão. Nos últimos anos, produtores e empresas ampliaram investimentos, capacidade produtiva e oferta. Agora, o desafio passa a ser administrar esse crescimento em um ambiente menos favorável.
"A gestão do risco é tão importante quanto a gestão da produção", foi uma das mensagens destacadas durante a apresentação.
Apesar das dificuldades no curto prazo, os fundamentos estruturais do setor permanecem positivos. A perspectiva apresentada no evento considera que o crescimento da demanda por alimentos, proteínas, fibras e energia renovável deve continuar sustentando o agronegócio brasileiro.
A expansão da renda em países emergentes, a busca global por segurança alimentar e a transição energética devem aumentar a necessidade de uma produção agrícola mais eficiente, produtiva e sustentável.
Agro em crescimento
Os dados mais recentes do PIB (Produto Interno Bruto) também foram utilizados para reforçar a importância do setor para a economia brasileira.
No segundo trimestre de 2026, o PIB do Brasil cresceu 0,5% em relação ao primeiro trimestre, enquanto a agropecuária avançou 2,8%.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a diferença foi ainda maior. O PIB da agropecuária cresceu 6,8%, enquanto indústria e serviços tiveram expansão de 1,5% cada.
Diante desse cenário, a questão colocada durante a abertura do Agro Summit não é apenas se o agronegócio brasileiro continuará crescendo, mas quais empresas e produtores estarão mais preparados para capturar a próxima etapa desse crescimento.
A evolução do agronegócio brasileiro foi atribuída à combinação entre empreendedorismo, pesquisa, ciência, inovação e capacidade empresarial.
A avaliação apresentada no evento é de que a transformação do setor não ocorreu apenas pelo aumento da área cultivada, mas também pela evolução tecnológica e pela capacidade de elevar a produtividade.
Esse processo permitiu que negócios familiares, produtores regionais e empresas brasileiras se transformassem em grupos de grande escala e competitividade internacional.
O Brasil reúne, segundo o Bradesco BBI, uma combinação pouco comum de fatores: disponibilidade de terras produtivas, recursos hídricos, conhecimento técnico, tecnologia, capacidade empresarial e escala para atender ao mercado global.
Homenagem
A abertura do Agro Summit também foi marcada por uma homenagem ao ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. O Bradesco conferiu a Rodrigues o reconhecimento de "Personalidade Emérita do Agronegócio Brasileiro".
Ao longo da carreira, Rodrigues atuou junto a produtores rurais, na academia, no cooperativismo, em instituições representativas do agronegócio e no governo federal, quando ocupou o cargo de ministro da Agricultura.
O reconhecimento foi entregue pelo diretor do agronegócio do Bradesco, Roberto França, que destacou a trajetória de Rodrigues em diferentes frentes do setor. França afirmou que o legado de Rodrigues ultrapassa os cargos ocupados e está relacionado à construção de uma visão mais ampla sobre o agronegócio brasileiro, integrando ciência, tecnologia, indústria, crédito, logística, comércio, sustentabilidade e pessoas.
A homenagem foi apresentada como um reconhecimento à contribuição de Rodrigues para a consolidação do agronegócio brasileiro e para a formação de lideranças do setor.


