Brasil será mais “atacado” à medida que liderar agro, diz secretário

Secretário de Defesa Agropecuária afirma que ambiente internacional ficou mais fragmentado e hostil, mas diz que país está preparado para responder

Cristiane Noberto e Isadora Camargo, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo
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O Brasil deve ser mais pressionado no comércio internacional de alimentos à medida que ampliar a liderança na produção global, segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Carlos Goulart.

Em entrevista exclusiva ao CNN Agro News, nesta terça-feira (8), Goulart afirmou que o ambiente internacional ficou mais fragmentado e hostil depois da pandemia, mas, ponderou, o Brasil necessita estar preparado para enfrentar novas barreiras técnicas e sanitárias.

“O Brasil ao assumir a liderança dessa produção de alimentos será ainda mais atacado sobre essa questão [técnica]. Isso é um fato. O Brasil sempre vivenciou, como defesa agropecuária, o vencimento de barreiras técnicas. Essa não é uma novidade para nós. Mas é verdade que, pós pandemia, o ambiente internacional tem ficado mais fragmentado e mais hostil a esses processos”, disse.

Para ele, as exigências sobre antimicrobianos adicionaram uma nova etapa de pressão sobre a produção brasileira e, no caso da UE (União Europeia), ultrapassaram a questão técnica.

“De fato, nos antimicrobianos foi uma questão que superou em muito a questão técnica. Tivemos a auditoria da União Europeia, que se encerrou na última sexta-feira (4). Nesse final da auditoria, os auditores já informaram o que nós já esperávamos: que o nosso processo de segregação do não uso de antimicrobianos é satisfatório e que cumpre com os requisitos da UE”, detalhou.

Para Goulart, o trabalho do país precisa combinar a atuação técnica da defesa agropecuária com a negociação comercial e política.

“Nós sempre trabalhamos com esse assunto em duas esferas: na esfera técnica e na esfera negocial política", destacou. Goulart lembrou que o governo brasileiro enviou carta à União Europeia a fim de apresentar as medidas de garantias que já tomava e que correspondiam às exigências sanitárias do bloco europeu.

"Bastava a União Europeia ter uma reunião extraordinária, um processo acelerado e regulatório para relistar o Brasil na lista de países autorizados a exportar proteínas do Brasil para o bloco”, frisou.

Urgência na avaliação

A missão de auditoria da Comissão Europeia esteve no Brasil e encerrou os trabalhos na última sexta-feira. Os técnicos visitaram estabelecimentos de produção de aves e mel no Paraná, em São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Para o secretário, a discussão agora entra em uma nova fase, que envolve tanto o processo regulatório europeu quanto a tentativa do governo brasileiro de acelerar a decisão sobre a retomada das exportações.

Pelo rito ordinário citado pelo secretário, a próxima etapa de decisão ocorrerá em novembro, quando houver a reunião do SCoPAFF (Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações - em tradução livre).

O governo, no entanto, tenta antecipar essa etapa, principalmente para as cadeias de aves e mel, que já foram auditadas e avaliadas.

Segundo Goulart, como a UE não aceitou antecipar a relistagem pela via política, o Brasil passou a seguir o processo regulatório do bloco. O secretário afirmou que, depois da apresentação do relatório europeu, o Brasil terá 25 dias para responder.