Café amplia perdas e recua a mínimas de três meses em Nova York

Perspectiva de oferta global recorde pressiona as cotações internacionais, enquanto mercado deve registrar primeiro excedente em cinco anos

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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Os preços do café finalizaram mais uma sessão em trajetória de queda nesta terça-feira (22) na Bolsa de Nova York, pressionados pela expectativa de maior oferta mundial na temporada 2025/26. O contrato futuro com vencimento em dezembro recuou 1,48%, para US$ 2,72 por libra-peso, atingindo níveis mínimos em três meses.

A pressão sobre as cotações se intensificou nas últimas três semanas, em meio à perspectiva de uma oferta global mais ampla. Em 10 de setembro, a OIC (Organização Internacional do Café) projetou uma produção mundial recorde de 183,6 milhões de sacas em 2025/26, alta de 4,4% em relação à temporada anterior.

Ao mesmo tempo, o consumo global deve recuar 0,9%, para 180,6 milhões de sacas. Com isso, a entidade estima um excedente de cerca de 3 milhões de sacas no mercado mundial, o primeiro superávit em cinco anos.

Cacau

As preocupações com a próxima safra da Costa do Marfim deram suporte aos preços do cacau, após as cotações atingirem mínimas de cerca de sete semanas. Na Bolsa de Nova York, o contrato para entrega em dezembro encerrou o pregão com alta de 0,95%, a US$ 5.402 por tonelada.

O movimento de recuperação foi acompanhado pelo aumento das compras para cobertura de posições vendidas, em meio às previsões de tempo mais seco na Costa do Marfim. A expectativa é de que a redução das chuvas possa prejudicar o desenvolvimento das plantações e limitar a produção do principal país produtor mundial de cacau na safra 2026/27.

Levantamentos preliminares sobre a nova temporada também reforçam a preocupação com a oferta. As primeiras avaliações apontam formação de frutos abaixo da média e desenvolvimento deficiente das vagens nos cacaueiros, indicando uma perspectiva mais fraca para a principal colheita, iniciada neste mês.

A estimativa média para a produção da Costa do Marfim na temporada 2026/27 é de 1,8 milhão de toneladas, cerca de 18% abaixo das aproximadamente 2,2 milhões de toneladas registradas na safra 2025/26.

Suco de Laranja

Na Bolsa de Nova York, os preços futuros do suco de laranja para novembro finalizaram o dia com valorização de 2,62% e precificado em US$ 1,52 por libra-peso.

Açúcar

O andamento da colheita de cana-de-açúcar no Brasil ajudaram a sustentar os preços da commodity, após uma sessão de forte volatilidade. Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro para entrega em março fechou com alta de 0,92%, a 18,56 centavos de dólar por libra-peso.

No início do pregão, as cotações recuaram e o açúcar negociado em Nova York chegou à menor marca em quatro semanas, enquanto o contrato em Londres atingiu o menor nível em cerca de um mês e meio. Ao longo do dia, porém, os preços se recuperaram e terminaram a sessão em movimentos mistos nos mercados internacionais.

Segundo a Barchart, a recuperação ocorreu em meio ao aumento de posições vendidas, diante das preocupações de que as chuvas no Brasil estejam atrasando os trabalhos de colheita da cana-de-açúcar. O ritmo da moagem e a evolução da safra brasileira seguem entre os fatores acompanhados pelos agentes do mercado.

Algodão

O avanço dos trabalhos no campo e os dados de beneficiamento nos Estados Unidos influenciaram as cotações do algodão, em que o contrato futuro para entrega em dezembro fechou em queda de 0,66%, a 82,87 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), 429 mil fardos de algodão haviam sido beneficiados até 15 de setembro, volume 8% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

O acompanhamento semanal da safra também mostrou avanço na abertura dos capulhos. Até domingo, 65% da produção de algodão dos EUA já havia passado por essa etapa, enquanto 13% da safra estava colhida.

As condições das lavouras, por outro lado, apresentaram piora na comparação semanal. A parcela classificada como boa ou excelente ficou em 34%, dois pontos percentuais abaixo do nível registrado na semana anterior.

https://www.cnnbrasil.com.br/agro/cacau-entra-em-2026-em-busca-de-equilibrio/