Café: clima e estoques globais devem influenciar a formação dos preços

Colheita do café arábica avança e preço perde força. Apesar da safra recorde fatores como clima e estoques globais podem dar alguma sustentação ao preço da commodity

Juliana Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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O Brasil deve colher a maior safra de café da sua história. A estimativa da consultoria StoneX é de produção de 75,3 milhões de sacas, alta de 20%. Desses 50,2 milhões de sacas são de café arábica, representando uma produção 37% maior em relação à temporada anterior.

Em maio, a grande produção da safra brasileira pressionou os preços que recuaram ao menor nível em um ano e meio.

Mas o ritmo lento da colheita e os estoques certificados na bolsa, em níveis baixos, interromperam esse movimento de queda mais acentuada nas últimas semanas.

Já nesta terça-feira (02) com a notícia do avanço da colheita em Minas Gerais, favorecida pelo tempo mais seco, fez o contrato para julho cair novamente na bolsa de Nova York.

Leonardo Rossetti, analista de inteligência de mercado na Stonex, conta que os índices de umidade elevado afetaram o processo final de maturação do café, o que levou alguns produtores a postergarem a colheita. O cenário e o ritmo de trabalho nos cafezais brasileiros começam a mudar. !Com a previsão de ‌clima ‌predominantemente seco a colheita vem ganhando ritmo e conforme esses trabalhos avançarem, ao longo das próximas semanas, a gente deve ver uma grande oferta entrando no mercado e, possivelmente, nova pressão sobre os preços de café”.

Estoques globais 

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deve divulgar esse mês a previsão para a safra brasileira de café e, na sequência, a estimativa para a produção global. Um  anúncio bastante aguardado pelo mercado e que vai influenciar os preços nas próximas semanas.

Rossetti alerta que os relatórios divulgados até momento, sobre a oferta em importantes regiões produtoras, mostram que os estoques somados apontam para uma queda de 11% no estoque global. O que reforça a estimativa da StoneX de que a recuperação da produção deve ocorrer, mas de maneira desigual nos países.

“A produção recorde para o Brasil leva a uma estimativa também de um superávit de 10 milhões de sacas no balanço global de oferta e demanda. Porém, a distribuição desses estoques deve ser bastante desigual e concentrada principalmente no Brasil. Nos outros países produtores, e consumidores, os estoques devem seguir mais baixos, o que pode gerar aí alguns gargalos e algumas oscilações ao longo do segundo semestre”, reforça Rossetti.

Dados da Reuters mostra que no dia em 1º de junho os estoques nas ‌bolsas eram de 434.930 sacas. Nessa mesma época, em 2025, os estoques eram de 882.212 sacas.

 

Clima no radar

Outro ponto importante que, segundo Rossetti, pode trazer novas oscilações nos preços internacionais do café ao longo do ano é o El Niño. Dependendo da intensidade do fenômeno ele pode impactar a florada da próxima safra no Brasil, entre setembro e outubro, o que pode trazer novos suportes para os preços.

De imediato as atenções também aos riscos de geada. “Temos visto novas frentes frias se aproximando e o risco de geada significa sempre temor por parte dos produtores. Então, ao longo de junho e julho, se os alertas de geada se concretizarem de alguma forma... só o risco delas ocorrerem já devem trazer oscilações altistas para os preços, trazendo volatilidade em contraponto a pressão baixista que o avanço da colheita no Brasil irá trazer.”