Café ficou quase 16% mais barato em um ano e deu fôlego a consumidor
De oito categorias mapeadas pela Abic, cinco tiveram queda de preços; matéria-prima especial aumentou 16,9%

O café tradicional no Brasil caiu 15,51% em um ano, com o quilo a R$ 55,34 em abril de 2026, comparado ao mesmo mês do ano passado. A dinâmica desinflacionária do grão ocorre depois de dois anos de altas provocadas pela limitação da matéria-prima e pelas cotações recordes nas bolsas internacionais, com repasse ao consumidor nas gôndolas. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).
Com a melhora da safra na virada de 2025 para 2026, houve maior disponibilidade de grãos para processamento. A recomposição dos estoques nos supermercados ajudou a aliviar o orçamento do consumidor, que conviveu com um pico de preços do café entre novembro de 2024 e o primeiro quadrimestre de 2025.
Das oito categorias monitoradas pela entidade, apenas três registraram alta nos preços ao consumidor: os cafés especiais e os descafeinados, com aumentos de 16,9% e 21%, respectivamente. O café solúvel teve leve avanço, de 0,55%.
Os cafés com maior predominância da variedade arábica e que se encaixam nestas categorias de sistemas mais minuciosos e de alta pontuação de bebida tiveram um valor agregado no preço.
Consumo de café
Para o presidente da Abic, Pavel Cardoso, os aumentos mais intensos do café começaram a ser sentidos no varejo entre o fim de 2024 e os primeiros meses de 2025. “A escalada começou em novembro de 2024, mas os repasses chegaram de forma mais plena ao consumidor em março e abril de 2025”, afirmou.
Segundo ele, a redução da volatilidade tende a favorecer novas quedas de preços até o fim do ano, embora o cenário ainda dependa da confirmação do tamanho da safra e das condições climáticas relacionadas ao El Niño.
Estoques da indústria
Cardoso afirmou ainda que a indústria tem trabalhado com níveis menores de cobertura de estoques diante da forte oscilação do mercado. “A volatilidade faz com que as empresas evitem posições mais longas. Isso afeta o fluxo financeiro das indústrias e dificulta a manutenção de margens regulares no varejo”, disse.

