Cenário sanitário do Brasil é estável, mas exige vigilância

Em entrevista ao CNN Agro News, secretário de defesa agropecuária diz que Brasil está preparado para qualquer emergência ou exigência sanitária

Cristiane Noberto, Isadora Camargo, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo
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O cenário sanitário e fitossanitário do Brasil é atualmente “estável”, mas exige vigilância permanente diante da possibilidade de surgimento de novas doenças e pragas, segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Carlos Goulart.

“No aspecto sanitário e fitossanitário, o status hoje é mais ou menos estável das ameaças que você tem. Algumas regionais, que estão nos países vizinhos, e algumas que podem ser com ingresso de material oriundo do exterior. [...] Essa é uma das questões na qual o sistema de defesa precisa estar alerta. O imponderável pode acontecer”, afirmou em entrevista exclusiva ao CNN Agro News, nesta terça-feira (8).

Apesar de Goulart não arriscar prever próximos desafios fitossanitários para o Brasil, os últimos anos impuseram uma necessidade de preparo da defesa agropecuária para responder às ameaças mais conhecidas e os problemas inesperados.

Atualmente, acrescentou o secretário, quatro emergências estão vigentes: monilíase do cacaueiro, mosca-da-carambola, influenza aviária e vassoura-de-bruxa da mandioca. As doenças são constantemente monitoradas, mesmo as que têm poucas pesquisas concluídas.

Para lidar com esse cenário, o governo mantém mecanismos de vigilância ativa e passiva para identificar rapidamente eventuais problemas.

“O que nós temos trabalhado no sistema de defesa, conta com órgão federal e órgão estadual, é a capacidade de monitorar e ter um radar, um monitoramento permanente de vigilância ativa e passiva para detectar eventuais questões”, disse.

Entre as ameaças acompanhadas pelo Brasil está a PSA (peste suína africana). O país permanece livre da doença, mas Goulart afirmou que ela exige atenção especial no monitoramento internacional.

A influenza aviária também é apontada como uma preocupação importante para a cadeia de aves. O secretário destacou a dimensão da produção brasileira e a necessidade de preservar o status sanitário do setor.

“O Brasil é referência global nesse assunto. É o segundo maior produtor de aves do mundo. O maior exportador global e é o único país do mundo que teve um único caso e a gente interrompeu a transmissão”, frisou.

O governo também trabalha para ampliar o reconhecimento da regionalização sanitária pelos parceiros comerciais. A estratégia busca evitar que uma ocorrência localizada resulte em restrições para as exportações de todo o país.

“A gente continua trabalhando com os países para ter o reconhecimento da regionalização, que é um processo muito importante para o Brasil.”

Segundo Goulart, a preparação precisa considerar ainda diferentes formas de entrada de ameaças no território nacional, inclusive por meio de materiais vindos do exterior.

“O que a gente pode lhe garantir, e garantir a quem nos escuta, é que o Brasil está preparado para lidar com qualquer ameaça que se apresente para nós”, pontuou.