China reabre três frigoríficos brasileiros de carne bovina
Retomada das habilitações foi confirmada pelo governo brasileiro após reunião bilateral em Pequim; países também avançaram em protocolo para exportação de miúdos suínos

A China retomou as habilitações de três frigoríficos brasileiros de carne bovina que estavam suspensos desde março de 2025. A informação foi confirmada pelo governo brasileiro nesta terça-feira (19), após reunião bilateral entre o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e a ministra da GACC (Administração-Geral das Alfândegas da China), Sun Meijun, em Pequim.
O anúncio foi feito durante a missão oficial brasileira à China, que também discutiu avanços em protocolos sanitários para exportação de carne suína e miúdos suínos ao mercado chinês.
Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), além da reabertura das três unidades frigoríficas, os dois países iniciaram tratativas para implementar, a partir do próximo mês, a certificação eletrônica para produtos cárneos.
A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) afirmou, em nota, que a decisão representa uma “importante conquista para o setor” e reforça a confiança das autoridades chinesas no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no país.
Segundo a entidade, a reversão das suspensões ocorreu após negociações conduzidas pelo Mapa junto ao governo chinês nos últimos meses. A Abiec destacou a atuação do ministro André de Paula e das equipes técnicas brasileiras nas conversas realizadas diretamente em Pequim.
“A retomada das exportações dessas plantas reforça a solidez da relação comercial entre Brasil e China e demonstra a capacidade de diálogo, articulação e resposta técnica construída pelo Brasil junto ao principal destino da carne bovina brasileira no mercado internacional”, diz o texto da entidade.
As suspensões anunciadas pela China em março de 2025 atingiram a unidade da JBS em Mozarlândia (GO), a Frisa em Nanuque (MG) e a Bon-Mart Frigorífico em Presidente Prudente (SP). Além do Brasil, Argentina e Uruguai também tiveram plantas bloqueadas.
Segundo documento oficial da GACC da época, auditorias remotas identificaram “não conformidades” em relação aos requisitos chineses para manutenção do registro de exportadores habilitados.
O órgão, porém, não detalhou quais foram as irregularidades encontradas em cada planta.
A reunião desta terça teve como foco o fortalecimento do comércio agropecuário bilateral, a cooperação sanitária e a ampliação do intercâmbio entre os dois países.
“O Brasil segue comprometido em atuar como fornecedor confiável de alimentos seguros, de alta qualidade e competitivos para a China, produzidos sob rigorosos padrões sanitários e ambientais”, afirmou André de Paula durante o encontro bilateral.
A ministra Sun Meijun também ressaltou a importância da relação comercial entre os dois países.
“O nosso comércio agroalimentar representa uma parcela importante do intercâmbio bilateral. Em 2025, a China importou US$ 51,4 bilhões em produtos agrícolas do Brasil, o que corresponde a cerca de 50% do comércio total entre os dois países”, declarou.
O governo brasileiro não informou quais são os três estabelecimentos que tiveram as habilitações retomadas. A China é o principal destino da carne bovina brasileira no mercado internacional.