China suspende importações de unidade de frigorífico brasileiro em MT
Unidade em Várzea Grande (MT) teve habilitação interrompida, com impacto sobre embarques ao mercado chinês

A autoridade sanitária da China suspendeu a habilitação de exportação de carne bovina de uma unidade brasileira após identificar a presença de uma substância não autorizada no país em um lote exportado.
Segundo comunicação de adidos agrícolas em Pequim ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a GACC (Administração Geral de Aduanas da República Popular da China) detectou resíduos de acetato de medroxiprogesterona em carne bovina congelada desossada.
A substância é utilizada como medicamento veterinário, mas não é permitida pela legislação chinesa para animais destinados à produção de alimentos.
O embarque estava vinculado ao estabelecimento registrado sob o SIF (Serviço de Inspeção Federal) 1206, localizado em Várzea Grande (MT). A planta é operada pela Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados, que integra o grupo Frigosul, conhecido no mercado pela marca SulBeef.
Após a identificação, a carga foi rejeitada e a autoridade chinesa determinou a suspensão temporária de novas declarações de importação da unidade. A medida vale para embarques realizados a partir de 13 de abril.
Em nota, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) afirmou que acompanha o caso em conjunto com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).
Segundo a entidade, o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do SIF. De acordo com a nota, a carga envolvida já foi descartada, a pedido das autoridades chinesas, conforme os protocolos sanitários.
“A medida tem caráter temporário e preventivo, com o objetivo de permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências necessárias, conforme os protocolos sanitários estabelecidos pelas autoridades competentes”, diz o texto.
A Abiec informou ainda que o tema segue em tratativas técnicas entre Brasil e China, com foco na normalização do fluxo comercial. Os demais estabelecimentos habilitados continuam operando normalmente.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira e concentra boa parte das vendas externas.
Dados compilados pela Abiec mostram que, em março, foram 105,4 mil toneladas embarcadas para o país asiático — 38,9% do volume total — com receita de US$ 603,1 milhões, o equivalente a 40,7% do faturamento. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 38,1 mil toneladas e US$ 238,5 milhões, seguidos por Chile, União Europeia e México.
No acumulado do ano, o país asiático já absorveu mais de 335 mil toneladas, acima de 40% das exportações brasileiras.
A liderança ocorre em um cenário de maior restrição comercial. Desde 1º de janeiro, a China passou a aplicar medidas de salvaguarda, com cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. O volume que exceder esse limite está sujeito a tarifa adicional de 55%.
Dependendo do critério de contabilização adotado pelas autoridades chinesas, parte relevante dessa cota já pode estar comprometida. Em um dos cenários considerados pelo mercado, cerca de dois terços do limite anual já estariam preenchidos, o que pode antecipar o esgotamento ainda no meio do ano.


