CNN Talks: Agricultura familiar integra energia e segurança alimentar
MDA reformula selo biocombustível social, usando produção de alimentos como porta de entrada para transição energética
Em meio aos conflitos no Oriente Médio e o fechamento Estreito de Ormuz, a pressão no fornecimento de petróleo tornou-se assunto relevante para o agronegócio brasileiro.
Durante o CNN Talks, realizado nesta segunda-feira (27) na maior feira de tecnologia agrícola, a Agrishow, o assunto em torno da alta de preços nos combustíveis trouxe a tona a presença das alternativas para a gasolina no brasil, os chamados biocombustíveis.
Em debate, o deputado Arnaldo Jardim Brasil mencionou que o Brasil já enfrentou críticas sobre a a produção de biocombustíveis, que poderia colocar em risco a segurança alimentar da população. Na ocasião a tentativa do continente europeu foi de impedir a expansão deste mercado. Como contra ponto, ele destacou as recentes medidas da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, que aumentaram a presença de etanol nos combustíveis dos países europeus para 20%.
Atualmente, a composição da gasolina comum brasileira possui, obrigatoriamente, 30% de etanol anidro em sua composição, confome as normas do CNPE (Conselho Nacional de Politica Energética). Nesse sentido o deputado enfatizou que na última reunião realizada pelo conselho, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, colocou em pauta a proposta para aumentar a a composição de etanol na gasolina para 32%.
"A resposta foi dada. Nós criamos um movimento virtuoso dos biocombustíveis sem comprometer a segurança alimentar", afirmou ele.
Participação da agricultura familiar
Questionada sobre o papel da agricultura familiar no fornecimento de matéria-prima para a indústria de bicombustíveis, a diretora de inovação para produção familiar do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Vivian Libório, ressaltou que atualmente a produção de matéria-prima não é mais vista como algo desconectado do debate de segurança alimentar e nutricional.
"Em 2024, fizemos duas reformulações importantes na política do selo biocombustível social onde, para as regiões norte e nordeste, a porta de entrada da transição energética é a produção de alimentos", afirmou ela. A diretora também mencionou que mais de 20 produtos e matéria-primas possuem o selo, o que tem, segundo ela, subsidiado o processo de diversificação. Atualmente, existem mais de 60 mil famílias da agricultura familiar que são atendidas com mais de R$ 6 bilhões por ano.
Vivian disse que a atuação estratégica entre o governo federal e a iniciativa privada possibilita o aumento das capacidade produtivas, considerando regiões e biomas distintos.
Segundo ela o ministério possui experiências consolidadas a partir do SAF (Sistemas Agroflorestais) com o caroço de açaí. " Antes era um impacto ambiental porque retirava a polpa, o caroço não sabia o que a gente utilizava", contou.
O MDA está realizando estudos e já possui um modelo de curso para a utilização do caraço para o SAF.
"Vamos trabalhar com culturas de verão, culturas de inverno, pensando nos produtos, mas também reforçando o papel da agricultura familiar enquanto produtora de alimento, seja as pessoas no campo ou na cidade", comentou Vivian


