Com estratégia interpaíses, Agrihold quer chegar aos US$ 700 milhões

Grupo com atuação no Brasil, Paraguai e China adquire participação minoritária na Agrivalle e projeta crescimento de 40% em cinco anos

Isadora Camargo, da CNN Brasil, em São Paulo
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A estratégia de ampliação nos negócios de biológicos da holding Agrihold é mais um passo da empresa para se consolidar no mercado de insumos, que está mais competitivo e mais fragilizado com a geopolítica.

A companhia, que é tradicional na área de defensivos químicos, explora a diversificação de portfólios não só no Brasil, mas no vizinho Paraguai, onde mantém atuação consolidada.

Além disso, com um pé na China, a empresa consegue assegurar matérias-primas em um momento de logística incerta global, ao passo que caminha para um plano de alcançar um faturamento de US$ 700 milhões e um crescimento de 40% em cinco anos.

Segundo o fundador do grupo, Tulio Zanchet, as projeções precisaram ser revisadas em razão da guerra no Oriente Médio e do cenário monetário de juro alto e crédito restrito, mas ainda são "curvas" e números positivos para a empresa.

O faturamento atual é de US$ 500 milhões e, para este ano, o crescimento deve ser de 10%.

Inicialmente, o objetivo era fechar 2026 com um aumento de 17%, porém, segundo Zanchet, o ajuste de sete pontos percentuais foram necessários para acomodar os negócios e não travar os investimentos do grupo.

"Embora esse ano seja bastante desafiante para o agro, tanto no contexto da guerra, mas especialmente por como está a economia agrícola no momento, nós temos planos de desenvolvimento que são de 5 e 10 anos, então precisamos continuar andando", explicou o fundador da Agrihold em entrevista para o CNN Agro News desta quinta-feira (21).

Até 2031, a expectativa dele é que o crescimento possa atingir 40%. Em março, a Agrihold, ingressou  no quadro de sócios da Agrivalle - gigante do segmento de biológicos - como parte da estratégia de expansão no segmento de bioinsumos.

Na avaliação de Zanchet, essa aquisição é um passo estratégico relevante.

"Isso para nós foi uma satisfação podermos entrar no quadro de acionistas da Agrivalle, uma empresa que tem uma reputação excelente no mercado", afirmou.

A integração entre as empresas prevê a atuação da Agrivalle no desenvolvimento de biológicos, enquanto a Agrotec cuida da distribuição, especialmente no Paraguai. Além da entrada no capital da Agrivalle, o grupo prevê o lançamento de novos defensivos agrícolas no Brasil. Com o avanço da parceria, a Agrihold espera ampliar a presença na América Latina e acelerar a adoção de tecnologias voltadas à agricultura regenerativa. A expectativa é que o segmento de biológicos represente mais de 60% do crescimento do grupo nos próximos anos.

No Paraguai, estão previstos diversos lançamentos ao longo do ano, incluindo uma parceria estratégica com a Sumitomo Chemical. Já a operação chinesa, mantida pelo grupo há mais de 25 anos, é apontada por Zanchet como um diferencial competitivo importante para antecipar movimentos do mercado global de insumos.

"Temos uma capacidade de identificar os movimentos que acontecem no mercado de produção de insumos na China e com isso conseguimos prever um pouquinho mais os movimentos e organizar-nos para enfrentar os desafios e para programar o crescimento também", afirmou.

Com mais de 400 colaboradores — entre eles mais de 200 engenheiros agrônomos —, o grupo opera por meio da Alta Defensivos, no Brasil, da Agrotec S.A., no Paraguai, além da Interag, na China. Com foco em crescimento sustentável e geração de valor, a companhia vem apostando "na ampliação do portfólio e na adoção de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e da eficiência no campo".

Em abril, a empresa lançou no Paraguai uma linha biológica de controle de nematoides, insetos e doenças, de olho especialmente nas culturas de soja e milho e nos 'brasiguaios' que se espalharam pela atividade agrícola do país e estão dispostos a adotar o manejo híbrido nas lavouras, sistema que a Agrihold quer disseminar por meio de seu ganho de participação nos mercados de químicos e, mais recentemente, de biológicos.

Zanchet, que é engenheiro agrônomo e está há 36 anos no setor, vê com otimismo o papel do Brasil entre os desafios atuais, que, segundo ele, tendem a consolidar ainda mais a posição do país como fornecedor de alimentos no mundo, destacando a eficiência dos produtores rurais brasileiros, o desenvolvimento tecnológico e a qualidade das instituições de ensino e pesquisa agrícola do país.

 

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