Com guerra, exportações de carne bovina ao Oriente Médio caem 20,5%
Em março, embarques recuaram para 18,2 mil toneladas e US$ 115,6 milhões, com queda generalizada entre os principais destinos da região

A escalada das tensões no Oriente Médio e países do entorno do conflito fez as exportações brasileiras de carne bovina para a região despencarem 20,5% em março, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
De acordo com os dados, os embarques somaram 18,2 mil toneladas no mês, ante 22,9 mil toneladas em fevereiro. Em valor, as vendas recuaram de US$ 137,5 milhões para US$ 115,6 milhões, queda de 15,9%, refletindo a piora nas condições de demanda e logística na região desde o início do ano.
Os números foram compilados pela associação com base em dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
A retração foi distribuída entre os principais destinos. Os Emirados Árabes Unidos lideraram a queda, com redução de 49,5% nos embarques, passando de 6,2 mil para 3,1 mil toneladas. Os demais países também registraram queda:
- Jordânia: -44,8% (de 1,9 mil para 1 mil toneladas)
- Catar: -55,3% (de 841 para 376 toneladas)
- Iraque: -42,5% (de 564 para 325 toneladas)
- Turquia: -26,2% (de 1,4 mil para 1 mil toneladas)
- Arábia Saudita: -7,6% (de 4,8 mil para 4,4 mil toneladas)
Segundo a Abiec, o conflito tem impactado diretamente o fluxo das exportações, com aumento do custo de frete e mudanças nas rotas comerciais.
A associação ainda pontua que a região do Oriente Médio é responsável por quase 15% das exportações brasileiras, que enfrentam dificuldade para acessar o mercado por conta do tensionamento geopolítico.
De acordo com o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o frete de contêiner refrigerado saiu de cerca de US$ 3.000 para mais de US$ 7.000, mais que dobrando o custo. Além disso, empresas passaram a desviar rotas para evitar áreas de conflito, o que aumenta o tempo de transporte e reduz a previsibilidade das entregas.
“Diante disso, estamos em negociação com os armadores, embora seja um processo difícil, buscando mitigar parte desses impactos. Neste momento, seguimos trabalhando com essas alternativas — desvio de rotas e negociação de frete, enquanto acompanhamos a evolução do cenário geopolítico, especialmente em relação ao cessar-fogo. A previsibilidade ainda é limitada, e isso influencia diretamente qualquer perspectiva mais estável para os custos logísticos”, frisou.
Dados gerais
Por outro lado, as exportações brasileiras de carne bovina totais somaram 270,8 mil toneladas em março, com receita de US$ 1,48 bilhão, melhor resultado mensal de 2026 até o momento. Na comparação anual, houve alta de 9,1% no volume e de 26% no faturamento.
No acumulado do primeiro trimestre, os embarques atingiram 801,9 mil toneladas, com receita de US$ 4,33 bilhões, crescimento de 18,4% em volume e de 34,3% em valor frente ao mesmo período de 2025.


