Cadeia halal quer garantir exportações para o Oriente Médio

Alternativas como novas rotas e sobretaxas não são descartadas para manter o abastecimento da população muçulmana

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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A garantia de abastecimento de alimentos para mercados muçulmanos, apesar dos custos elevados, é  prioridade em meio a guerra no Oriente Médio. É o que afirmam representantes do mercado Halal. No ano passado o Brasil exportou US$ 21,3 bilhões em produtos para os árabes, principalmente açúcar, carnes, milho e minério de ferro, segundo dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e  Serviços.

Os 22 países da Liga Árabe, que incluem nações da África e do Oriente Médio, têm elevado significativos as importação de alimentos e bebidas. Cerca de 75% dos embarques para estas nações são originários da agropecuária brasileira.

Nesse contexto, a região afetada pela guerra enfrenta dificuldades de acesso dos  embarques que atravessam o Estreito de Ormuz, passagem essencial para navios direcionados ao Oriente Médio e Norte da África, regiões que concentram 20% da comunidade muçulmana, que consome produtos halal.

Ali El-Zoghbi, vice-presidente da FAMBRAS Halal, certificadora halal no Brasil, afirma que a prioridade é garantir alguma forma de conclusão das exportações. “Os produtos brasileiros estão sendo sobretaxados por causa do ritmo da guerra, mas a segurança alimentar é importante durante esse momento. Uma necessidade vital é que nossos produtos cheguem lá. Essa é uma discussão diplomática, única forma de minimizar os efeitos dessa guerra”, disse à CNN Brasil.

“Planos de contingência já são executados, mas ainda é prematuro para avaliarmos os impactos dos embarques para a região. Entendo que outros mercados islâmicos possam ser alternativas para a produção brasileira, mas precisamos ficar atentos para os desdobramentos dos próximos dias”, concluiu.

Segundo um estudo do IMARC Group, o mercado global de alimentos halal é avaliado em US$ 2,9 bilhões. A estimativa é que este mercado alcance  US$ 6,3 bilhões até 2034, apresentando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 8,56% entre 2026 e 2034.

A região Ásia-Pacífico domina o mercado, com uma participação superior a 48,5% em 2025. A localização, por sua vez, concentra mais de 60% da comunidade muçulmana. Ainda segundo o IMARC, o crescimento do mercado é impulsionado pela crescente conscientização da população, pelo rápido multiculturalismo e pela globalização.

Mohamad Orra Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), destacou o trabalho de orientação em meio aos impactos do conflito geopolítico. “Emitimos boletins diários sobre os países árabes atingidos e trabalhamos com o direcionamento acerca do comércio internacional. O alimento vai chegar com custo elevado devido ao risco por conta do conflito, mas precisamos assegurar, principalmente, a segurança alimentar das regiões”, disse à CNN Brasil.

Segundo um levantamento da Globe Newswire, a padronização rigorosa com a proliferação de plataformas de comércio eletrônico e crescentes preocupações com saúde e segurança são fatores de crescimento desse mercado.

O rápido crescimento da população muçulmana global também é um importante impulsionador do mercado de alimentos halal. Com o aumento, a demanda por produtos com certificação halal também cresce.

A projeção é de que a população muçulmana global cresça quase 50% até 2050, atingindo 2,76 bilhões de pessoas. Essa mudança demográfica se traduz, segundo o levantamento, em uma maior demanda por alimentos halal em diversas regiões, tanto em países de maioria muçulmana quanto em países com minorias muçulmanas significativas.

O Relatório do Mercado de Alimentos Halal indica que a população muçulmana global já ultrapassa 1,9 bilhão de pessoas, o que sustenta a demanda estrutural por alimentos certificados. Além disso, há expansão do consumo fora do público religioso, motivada por percepções de qualidade, segurança alimentar e rastreabilidade.

O cenário, de acordo com o relatório, tem levado a taxas de crescimento que podem chegar a mais de 12% ao ano em alguns estudos. Algumas das empresas presentes no Brasil já integram essa certificação de produtos com essa especificidade.

O mercado Halal

O mercado de alimentos Halal refere-se a produtos que seguem as normas da lei islâmica, conhecidas como Islam. O termo “halal” significa “permitido”, e abrange não apenas o tipo de alimento, mas também todo o processo de produção, incluindo abate, armazenamento e transporte.

Nesse mercado, por exemplo, carnes devem ser provenientes de animais abatidos de acordo com rituais específicos, e ingredientes proibidos (como álcool ou derivados de porco) não podem estar presentes. Esse padrão de qualidade e rastreabilidade faz com que os alimentos halal sejam valorizados não só por muçulmanos, mas também por consumidores que buscam produtos mais controlados.

Uma das preocupações do setor é ceriticação e produtos, resultado da rastreabilidade exogda pelo consumidor muçulmano. Empresas já atuam para a digitalização dos processos industriais, o que confere informações e transparência sobre produtos exportados.

Com processos digitalizados, cada vez mais empresas de pequeno e médio porte possuem acesso ao mercado Halal. Consequentemente, a capacidade de gerar receita com vendas aumenta.