Conab vai destinar R$ 56 milhões para apoiar comércio do arroz
Valor será destinado à melhoria das condições de comercialização aos produtores, especialmente em momentos de desequilíbrio de mercado

A Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul) anunciou, nesta quarta-feira (15), a liberação de R$ 56 milhões pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para apoiar a comercialização do arroz. A medida foi confirmada após reunião realizada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Denis Dias Nunes, presidente da Federarroz, afirma que o montante será utilizado para viabilizar a publicação do edital. Este anúncio vai permitir a operacionalização de mecanismos de subvenção por meio dos programas de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro).
Os recursos são empregados pelo Governo Federal para garantir melhores condições de comercialização aos produtores, especialmente em momentos de desequilíbrio de mercado. "A liberação do Termo de Execução Descentralizada representa um passo importante para o setor orizícola, que aguardava a medida como forma de assegurar maior estabilidade nos preços e facilitar o escoamento da produção", destacou o dirigente.
Segundo a Federarroz, a expectativa agora é de que o edital seja publicado nos próximos dias, o que permite que produtores tenham acesso aos benefícios.
Entraves em negociações
A cotação do arroz travou as negociações entre produtores e indústria na safra 2025/2026. O custo elevado, alavancagem de produtores das regiões produtoras do sul do país e concorrência de países como o Paraguai e a Índia pressionaram os preços da saca para baixo. O volume de exportações representa o aproveitamento do amplo estoque.
Nos últimos meses, iniciativas foram propostas para enfrentar a possível crise no mercado. Entre elas estão a recomendação de redução da área plantada para a próxima safra, uma das buscas por novos mecanismos de comercialização e o estímulo às exportações.
Outra proposta discutida pelo setor envolve o alongamento das dívidas de custeio dos produtores. A medida pode ajudar a distribuir os pagamentos ao longo do ano e reduzir a pressão de vendas logo após a colheita, período em que a oferta costuma ser maior e os preços tendem a cair.
Atualmente, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - CEPEA Esalq/USP ao valor da saca de 50 quilos de arroz é cotada a R$ 62,88. Valor superior ao início da colheita, porém, ainda inferior ao considerado ideal pelos produtores, cerca de R$ 80,00 por saca.
Exportações brasileiras
As exportações brasileiras de arroz cresceram 114% no primeiro trimestre de 2026. De janeiro a março, 685 mil toneladas de arroz (base casca) foram embarcadas, frente a 281 mil toneladas enviadas no mesmo período de 2025. A receita cresceu 55%, para US$ 159,7 milhões no primeiro trimestre do ano.
O levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indica que Venezuela, Senegal e México foram os principais destinos do arroz brasileiro.


