Confinamento avança em 2026 mesmo com leve alta nos custos de produção
Levantamento mostra forte crescimento da intenção de confinamento em 2026, impulsionado por margens positivas, milho mais competitivo e expectativa de demanda externa

O confinamento de bovinos segue em expansão no Brasil em 2026, mesmo diante de um leve aumento dos custos de produção. Segundo o analista da consultoria Pasto & Mercado, Rodrigo Dutra, a atividade continua economicamente atrativa, principalmente para operações de grande escala, sustentada pela melhora da relação de troca entre boi gordo e milho e pela expectativa de recuperação das exportações no segundo semestre.
De acordo com Dutra, os custos operacionais apresentaram alta entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, mas em níveis considerados modestos. Dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) apontam aumento de 1,75% nos custos do sistema de cria e pouco mais de 1% nas fases de recria e engorda.
Apesar disso, a intenção de confinamento cresceu de forma expressiva em comparação no último ano. O destaque é Mato Grosso, maior produtor e exportador de carne bovina do país, onde a intenção de colocar animais em confinamento supera 55%. No Sudeste, o avanço se aproxima de 33%, enquanto Norte e Nordeste registram crescimento acima de 40% e, em algumas regiões, superior a 50%.
Segundo o analista, esse movimento indica que os pecuaristas seguem confiantes na rentabilidade da atividade.
"O aumento dos custos foi pequeno e ainda é compensado pelas condições favoráveis do mercado. O confinamento continua sendo uma estratégia economicamente satisfatória", afirmou.
A principal razão é o custo da alimentação já que a boa safra de milho, um dos principais insumos da atividade, a relação de troca tornou-se mais favorável. Atualmente, uma arroba de boi gordo compra cerca de 5,37 sacas de milho, cenário que reduz o custo de produção dos animais confinados. O DDG, coproduto da produção de etanol de milho utilizado na alimentação animal, também contribui para a competitividade do sistema.
Segundo Dutra, em propriedades com menos de mil cabeças, o confinamento tende a ser menos competitivo. Já em sistemas acima de cinco mil animais, a atividade apresenta margens líquidas entre 5% e 10%, dependendo da eficiência da gestão e dos custos de produção.
Outro cenário que o setor acompanha é a geopolítica que tem elevado a volatilidade do mercado no primeiro semestre, com impactos das salvaguardas chinesas, conflitos internacionais e problemas logísticos, esses fatores perderam relevância nas decisões dos confinadores.
Conforme levantamento da consultoria, a principal preocupação hoje é o custo da reposição de animais para recria e engorda, especialmente pela menor oferta de bovinos jovens após o elevado abate de fêmeas registrado em 2025. Essa questão aparece à frente das incertezas relacionadas ao comércio internacional.
Para Dutra, as restrições impostas pela China deixaram de ser o principal fator de preocupação para o segundo semestre. A expectativa é de retomada gradual das compras chinesas para recomposição de estoques antes do Ano Novo Lunar de 2027, o que deve favorecer novamente as exportações brasileiras de carne bovina.
Nesse cenário, o analista avalia que a combinação entre custos de alimentação mais competitivos, margens positivas e perspectiva de maior demanda externa mantém o confinamento como uma estratégia importante para elevar a produtividade da pecuária brasileira e atender ao mercado internacional.


