Oferta restrita sustenta preços do boi gordo
Indicador Cepea registra R$ 347,90 por arroba; mercado futuro e entressafra contribuem para manutenção dos patamares elevados.

Depois de somar ganhos de 3% em julho, a cotação do boi gordo em São Paulo, registrou alta de 0,39% nos primeiro dia de negociação do mês de agosto. No Indicador Cepea, a arroba foi cotada a R$ 347,90 nesta segunda-feira (03)
Começo de mês, entrada dos salários e véspera do Dia dos Pais devem sustentar a tendência embora o início da semana seja de negócios mais calmos.
Em diversas praças pecuárias, os indicadores apontam para um cenário de sustentação impulsionado principalmente pela oferta restrita de animais para abate.
De acordo com Hyberville Neto, analista de mercado pecuário e diretor da HN Agro, o mercado físico reflete esse equilíbrio entre uma oferta restrita e compradores ajustando as necessidades conforme as escalas de abate.
"O mercado começou o mês em um ritmo de negócios mais lento. Quando olhamos os indicadores, a maior parte das praças registrou firmeza. A retenção de animais por parte dos produtores, aliada à menor oferta de gado saindo de confinamento neste momento, sustenta os preços em patamares elevados e impede maiores recuos nas escalas", destaca Hyberville Neto.
No mercado futuro, na B3, os contratos acompanham o movimento do físico, precificando expectativas de valorização e renovando o otimismo para os vencimentos de fim de ano, especialmente no contrato de dezembro.
À medida que o setor avança para o período de entressafra, os frigoríficos enfrentam dificuldades crescentes para encontrar boiadas terminadas com bom volume, resultando em preços cada vez mais firmes, conforme avalia Douglas Coelho, analista da Radar Investimentos.
O cenário de restrição é agravado principalmente em regiões fortes na pecuária como: Mato Grosso, Tocantins e Goiás com a oferta reduzida de fêmeas e novilhas para o abate. Essa retenção reflete diretamente na oferta de carne no mercado interno, com menor volume de carcaças disponíveis e preços em alta no atacado.
"Os frigoríficos estão com maior dificuldade em encontrar boiadas terminadas com bom volume. Entressafra com cara de entressafra. Outro ponto é, diferente dos dois anos anteriores, a oferta mais restrita de fêmeas para ao abate”, reforça Coelho
Do lado da oferta, principalmente saindo dos confinamentos, Hyberville Netto destaca que os produtores adotaram uma postura de maior cautela em relação os períodos anteriores. “O aumento da oferta dos confinamentos, na reta final do ano, deverá ocorrer junto com a demanda externa, nova cota de envio a China, em recuperação.
Dados parciais da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) apontam para uma retração de aproximadamente 10% no volume médio diário de carne bovina in natura exportada em julho na comparação com o recorde histórico registrado no mesmo mês do ano passado.
Conforme pontua Hyberville Neto, "aparentemente, uma queda de 10% não é pequena, mas precisamos contextualizar que estamos comparando com o maior volume da história para um mês de julho, registrado em 2025. A janela tradicional de exportação para a China já se encontrava com menor dinamismo no período, e ainda assim mantivemos um patamar bastante consistente de embarques".
No caso da China, a demanda asiática apresenta uma acomodação temporária, reflexo natural da sazonalidade e da cota de exportação que acabou.
Já para os Estados Unidos, com a tarifa de 26,4% e sem as sobretaxas do novo tarifaço, com a carne bovina na lista de produtos isentos, os norte-americanos seguirão comprando de forma consistente, compensando "parcialmente" a redução dos embarques para o mercado chinês.
O mercado interno tende a ganhar força no segundo semestre, com o período de campanhas eleitorais e a injeção na economia, favorecendo o consumo de proteínas.
Aliado a isso, o avanço sazonal da demanda externa e o equilíbrio entre a oferta de confinamento e o gado de pasto desenham um cenário de sustentação para a arroba do boi gordo até o encerramento do exercício.


