Dia Internacional do Café: ganhos do Brasil saltam 200% em dez anos

Valor de agosto passou de US$ 453 milhões em 2016 para US$ 1,33 bilhão em 2026; especialistas consultados pela reportagem projetam que país deve superar o Vietnã na produção de canéforas

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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O Brasil quase triplicou a receita com exportações de café em dez anos, considerando os resultados do mês de agosto. O valor passou de US$ 453,48 milhões em 2016 para US$ 1,33 bilhão em 2026, uma alta de 193,5%, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

No Dia Internacional do Café, o avanço brasileiro representa uma entrada adicional de aproximadamente US$ 877,5 milhões no mês, em valores nominais, sem correção pela inflação. O país extrapola fronteiras físicas, enquanto tenta maior reconhecimento com novos mercados, como Japão e China.

Maior produtor e exportador mundial de café, segundo a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), o país também deve ampliar seu protagonismo na produção. Especialistas consultados pela reportagem avaliam que o Brasil deve ultrapassar o Vietnã na produção de cafés canéforas, grupo que reúne conilon e robusta, somando essa posição à liderança já consolidada no arábica.

A comparação internacional considera o conjunto da espécie Coffea canephora, à qual pertencem tanto o conilon quanto o robusta. A distinção é relevante para entender a disputa entre os dois países, frequentemente apresentada no mercado brasileiro como uma corrida pela liderança no conilon.

A perspectiva de ultrapassagem ocorre em um ano de safra recorde no Brasil. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima uma produção de 67,6 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, crescimento de 19,6% sobre 2025 e o maior volume da série histórica. O resultado combina expansão da área produtiva e melhora da produtividade, favorecida pelo ciclo de bienalidade positiva, pelas condições climáticas e pelo uso de tecnologia nas lavouras.

O desempenho das duas espécies, porém, é diferente nesta safra. Enquanto a produção de arábica deve crescer 34,8%, para 48,2 milhões de sacas, a estimativa para o conilon é de 19,4 milhões de sacas, queda de 6,6%. Segundo a Conab, o recuo reflete principalmente o menor desempenho das lavouras do Espírito Santo. Assim, a expectativa dos especialistas sobre a liderança brasileira representa uma projeção, ainda não uma posição confirmada pelos números apresentados.

No comércio exterior, agosto de 2026 estabeleceu recordes tanto em receita quanto em volume para o mês. Foram embarcadas 4,155 milhões de sacas, alta de 31% sobre agosto de 2025. As exportações de conilon e robusta cresceram 53,6%, alcançando 953,6 mil sacas. Apesar desse resultado, a receita acumulada de janeiro a agosto caiu 9,3%, para US$ 8,787 bilhões.

A presença internacional do café brasileiro alcançou 121 destinos em 2025, com embarques de aproximadamente 40 milhões de sacas e receita recorde de US$ 15,586 bilhões. Naquele ano, a Alemanha liderou as compras, seguida por Estados Unidos, Itália, Japão e Bélgica, de acordo com o Cecafé.

A dimensão do setor também aparece no mercado doméstico. O Brasil é o segundo maior consumidor mundial de café e registrou consumo de 21,4 milhões de sacas no levantamento de 2025 da Abic, referente ao período de novembro de 2024 a outubro de 2025. O volume reforça o peso do país nas duas pontas da cadeia: no abastecimento internacional e na demanda pela bebida.