Exportações de café solúvel sobem 20% em julho
Embarques avançam 10,9% no acumulado do ano, enquanto receita recua 2,5%; setor espera impulso de EUA e União Europeia no segundo semestre

As exportações brasileiras de café solúvel cresceram 20% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta terça-feira (18) pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Foram embarcadas 8,161 mil toneladas no mês, volume equivalente a 353.761 sacas de 60 quilos de café verde.
No acumulado de janeiro a julho, as vendas externas chegaram a 57,4 mil toneladas, ou 2,488 milhões de sacas. O resultado representa avanço de 10,9% sobre as 51,7 mil toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.
Apesar do aumento dos embarques, a receita com as exportações recuou. Nos sete primeiros meses do ano, o faturamento somou US$ 663,5 milhões, queda de 2,5% na comparação anual.
Segundo a Abics, o movimento reflete principalmente a diferença entre os preços praticados neste ano e as cotações mais elevadas observadas em 2025. Assim, a indústria conseguiu ampliar o volume vendido ao exterior sem repetir o mesmo desempenho em receita.
EUA dão primeiros sinais de recuperação
Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino do café solúvel brasileiro. Entre janeiro e julho, o país importou 8,4 mil toneladas, volume 12% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
A Abics ressalta, porém, que a comparação ocorre sobre bases diferentes. Os primeiros sete meses de 2026 ainda foram impactados pela sobretaxa norte-americana, enquanto o mesmo intervalo de 2025 antecedeu a aplicação da medida.
Em julho, os embarques para o mercado americano chegaram a 1,3 mil toneladas e cresceram 9,5% em relação ao mesmo mês de 2025, sinalizando uma recuperação do fluxo comercial.
A expectativa do setor é de que a retirada da tarifa sobre o café solúvel brasileiro tenha impacto mais evidente sobre as exportações nos próximos meses.
Segundo o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, tanto a mudança no mercado americano quanto as novas condições comerciais com a União Europeia são recentes demais para explicar integralmente o desempenho registrado em julho.
Os embarques destinados à União Europeia avançaram 51,4% entre maio e o fim de julho e alcançaram 5,2 mil toneladas.
Entre os principais destinos europeus, a Polônia aparece na sexta posição entre os compradores do café solúvel brasileiro, com crescimento de 40,6%. A Estônia ocupa a sétima colocação, com alta de 103,4%, enquanto os Países Baixos aparecem em oitavo, com avanço de 36,9%.
A Abics avalia que o efeito das mudanças comerciais deve aparecer de forma mais clara ao longo do segundo semestre.
Concorrentes também compram café solúvel brasileiro
Outro movimento destacado pela associação é o aumento das vendas para países que também possuem indústrias relevantes de café solúvel.
A Colômbia foi o quarto maior destino do produto brasileiro entre janeiro e julho, com 3,4 mil toneladas, crescimento de 145,7% em relação ao ano passado.
A Indonésia aparece em seguida, com 3,2 mil toneladas e alta de 49,6%. O México comprou 2,3 mil toneladas, avanço de 33,2%, enquanto as vendas ao Vietnã cresceram 67,2%, para 2,2 mil toneladas.
Argentina e Rússia também aparecem entre os três principais compradores. Os argentinos adquiriram 4,6 mil toneladas no período, queda de 9,6%, enquanto as compras russas atingiram volume semelhante, mas cresceram 21,9%.
Para a Abics, o aumento das vendas inclusive para países tradicionalmente produtores e processadores reforça a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.
Consumo de solúvel cresce 14% no Brasil
O avanço também ocorre dentro do país. O consumo brasileiro de café solúvel somou 17,3 mil toneladas entre janeiro e julho, equivalente a aproximadamente 751 mil sacas, crescimento de 14,4% sobre igual período de 2025.
Segundo a consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, a expansão está relacionada à maior variedade de produtos disponíveis, incluindo cafés orgânicos, descafeinados, premium e de maior valor agregado.
A entidade também identifica aumento do uso do café solúvel como ingrediente de bebidas prontas e produtos em pó, inclusive itens voltados ao mercado de suplementação e proteína.
A avaliação da Abics é que a combinação entre maior diversidade, praticidade e investimentos da indústria tem ajudado a ampliar a percepção de qualidade do café solúvel e, consequentemente, o consumo no mercado brasileiro.




