Diesel mais caro pressiona logística e produção do agro, aponta Rabobank
Combustível mais caro deve continuar pressionando as margens do agronegócio brasileiro nos próximos meses

O avanço dos preços do diesel no Brasil já impacta o agronegócio diretamente, elevando custos de produção e comprimindo a renda do produtor rural. É o que mostra relatório divulgado pelo Rabobank nesta semana.
Segundo o documento, a alta do combustível é reflexo de tensões no mercado internacional de petróleo, especialmente após o conflito no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia. Mesmo distante geograficamente, o Brasil sente os efeitos por depender da importação de cerca de 25% a 30% do diesel consumido internamente.
Em março, a Petrobras elevou o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,38 por litro, enquanto agentes privados seguiram os reajustes internacionais. O movimento ocorre em um cenário de incerteza, com risco de novos aumentos ao longo de 2026.
Entre janeiro e março, os preços do diesel dispararam em todo o país. Estados com forte presença agrícola registraram algumas das maiores altas, como Bahia, Tocantins, Paraná, Goiás, Minas Gerais e São Paulo, com variações superiores a R$ 1 por litro. Algumas regiões registraram até R$ 2 de alta, aponta o relatório.
O aumento do diesel afeta diretamente o custo operacional das lavouras. De acordo com o Rabobank, cada alta de R$ 1 por litro no combustível gera impacto relevante por hectare:
- Milho safrinha: acréscimo de R$ 40 por hectare
- Soja: aumento de R$ 47 por hectare
- Cana-de-açúcar: elevação de R$ 198 por hectare
No caso da soja, por exemplo, o impacto pode chegar a R$ 13,06 por tonelada produzida, o que reduz a margem do produtor em um cenário de preços internacionais já pressionados.
O efeito mais sensível, porém, ocorre na logística. Como o Brasil depende fortemente do transporte rodoviário, o encarecimento do diesel eleva o custo do frete até os portos, fator diretamente descontado do preço pago ao produtor.
Em rotas estratégicas, como de Rondonópolis (MT) ao porto de Santos (SP), um aumento de R$ 1 no litro do diesel pode elevar o custo do transporte em cerca de R$ 55 por tonelada. Já no trajeto Cascavel (PR) a Paranaguá (PR), o impacto é de aproximadamente R$ 24 por tonelada.
Na prática, isso significa que, mesmo com preços internacionais estáveis, o produtor tende a receber menos pela sua produção.
Pressão sobre margens
Para conter a escalada, o governo federal adotou medidas como a suspensão de tributos (PIS/Cofins) e subsídios temporários ao diesel. Novas intervenções seguem em discussão, incluindo incentivos a importadores e produtores e até mudanças na mistura obrigatória de biodiesel.
Apesar disso, o Rabobank avalia que o cenário segue volátil. A duração do conflito no Oriente Médio, o comportamento do câmbio e a eficácia das políticas públicas devem determinar o rumo dos preços ao longo do ano.
O relatório conclui que o diesel mais caro deve continuar pressionando as margens do agronegócio brasileiro nos próximos meses. Além dos impactos diretos na lavoura e no frete, há efeitos indiretos, como o aumento do custo de fertilizantes e insumos transportados. Diante desse ambiente, produtores e empresas do setor terão de lidar com maior incerteza e necessidade de gestão de custos para preservar a rentabilidade.

