Exportações de café recuam em março e receita despenca com entressafra

Desempenho também reflete menor disponibilidade do grão no mercado e problemas logísticos causados pela Guerra no Oriente Médio

Isadora Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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As exportações brasileiras de café somaram 3,04 milhões de sacas de 60 kg em março, queda de 7,8% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo relatório mensal do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), divulgado nesta segunda-feira (13). A receita atingiu US$ 1,125 bilhão, recuo mais intenso, de 15,1% na mesma base de comparação.

O desempenho reflete principalmente o período de entressafra e a menor disponibilidade do produto no mercado. De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, os produtores estão mais capitalizados e optando por segurar vendas à espera de melhores condições de preço, o que reduz o volume embarcado.

Além disso, fatores externos e estruturais continuam pressionando o setor. O relatório destaca entraves logísticos nos portos brasileiros, com contêineres retidos e atrasos nos embarques, além de impactos da geopolítica global, como custos elevados de frete e seguro marítimo devido à guerra no Oriente Médio.

 

Queda no trimestre e no ano-safra

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o Brasil exportou 8,46 milhões de sacas, retração de 21,2% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita também caiu, somando US$ 3,37 bilhões, baixa de 13,6%.

Já no ano-safra 2025/26 (julho a março), os embarques totalizam 29,09 milhões de sacas, recuo de 21,2%. Apesar da queda em volume, a receita cresceu 2,9%, para US$ 11,43 bilhões, sustentada por preços ainda elevados no período.

Por tipo de café, o arábica segue como principal produto exportado, com 79,3% de participação no trimestre, mas registrou queda de 25,8% nos embarques.

Já o café solúvel teve leve recuo de 1,5% e respondeu por 11,4% do total exportado. Em sentido oposto, os cafés canéforas (robusta e conilon) cresceram 11%, ampliando participação para 9,2%.

Os cafés diferenciados — que incluem produtos certificados, sustentáveis e especiais — representaram 19,1% das exportações no trimestre, com 1,62 milhão de sacas. O volume caiu 42,7% em relação ao mesmo período de 2025. A receita desse segmento teve queda de 37,7% e somou US$ 730,7 milhões, apesar de preços médios mais elevados, de US$ 451,56 por saca.

Principais destinos

A Alemanha manteve a liderança entre os importadores no primeiro trimestre, com 1,19 milhão de sacas, seguida pelos Estados Unidos, com 936,6 mil sacas — este último com forte queda de 48,3% na comparação anual. Completam o ranking Itália, Bélgica e Japão, com desempenhos mistos entre crescimento e retração.

O Porto de Santos respondeu por 75,7% dos embarques no trimestre, seguido pelo complexo do Rio de Janeiro, com 20,3%, e Paranaguá, com 1,3%, evidenciando a forte concentração logística e os gargalos estruturais apontados pelo setor.

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