Exportações de carne bovina recuam em julho, mas crescem 9,9% no ano
Queda no mês é puxada pela redução dos embarques para a China, enquanto outros mercados ampliam as compras da carne brasileira e ajudam a sustentar o resultado acumulado de 2026

As exportações brasileiras de carne bovina recuaram em julho, pressionadas principalmente pela redução dos embarques para a China. Segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), foram exportadas 264,4 mil toneladas no mês, queda de 16,1% em relação a julho de 2025.
A receita também caiu na comparação anual. Os embarques movimentaram US$ 1,58 bilhão, redução de 5,5%.
A principal mudança ocorreu no comércio com a China, maior destino da carne bovina brasileira. Em julho, o país recebeu 85,8 mil toneladas, 47% menos que no mesmo mês do ano passado. A receita caiu 50,3%, para US$ 537,9 milhões.
Segundo a Abiec, a redução já era esperada pelo setor e está relacionada ao avanço do preenchimento da cota de exportação para o mercado chinês. As indústrias teriam antecipado parte dos embarques no primeiro semestre e, com a aproximação do limite, passaram a reduzir o ritmo para evitar que cargas chegassem ao país fora da cota e fossem submetidas à tarifa adicional.
O movimento ocorre em um momento de maior diversificação das exportações. Em julho, quatro dos cinco principais mercados, além da China, ampliaram as compras em volume na comparação com o mesmo mês de 2025.
Os Estados Unidos receberam 28,9 mil toneladas, alta de 9,7%. O Chile importou 19,2 mil toneladas, avanço de 50,2%. Já a União Europeia comprou 12,5 mil toneladas, crescimento de 52,6%, enquanto o México recebeu 12,4 mil toneladas, alta de 4,5%.
Em receita, as vendas para os Estados Unidos somaram US$ 193,9 milhões, aumento de 0,5%. Para o Chile, foram US$ 122,4 milhões, alta de 50,3%. As exportações para a União Europeia movimentaram US$ 109,8 milhões, avanço de 46,1%, e as destinadas ao México chegaram a US$ 79,4 milhões, crescimento de 7,2%.
Acumulado do ano
Apesar do resultado negativo de julho, as exportações brasileiras de carne bovina continuam acima do registrado em 2025. Entre janeiro e julho, o país embarcou 1,969 milhão de toneladas, alta de 9,9% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A receita acumulada chegou a US$ 11,43 bilhões, crescimento de 28,3%.
A China continua na liderança entre os compradores, com 880,3 mil toneladas importadas no período, alta de 9,8%. Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 233,8 mil toneladas (+17,1%), o Chile, com 89,9 mil toneladas (+29,8%), a Rússia, com 74,3 mil toneladas (+23,8%), e a União Europeia, com 63,7 mil toneladas (+10,4%).
Além dos principais destinos, outros mercados apresentaram crescimento expressivo. A Indonésia importou 43,8 mil toneladas entre janeiro e julho, alta de 242,1%. O Vietnã, que abriu o mercado para a carne bovina brasileira em 2025, recebeu 8,4 mil toneladas, aumento de 375,4%.
A Argentina também ampliou as compras, para 16,2 mil toneladas, crescimento de 139,5%.
Para o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o desempenho reforça a importância da diversificação dos destinos da carne brasileira, especialmente na Ásia.
“Temos mercados tradicionais ampliando suas compras e novos destinos ganhando relevância. A estratégia continua sendo investir nas regiões onde existe possibilidade de aumento da demanda e trabalhar, junto ao governo brasileiro, pela abertura de novos mercados. A Ásia segue como uma região prioritária nesse processo”, afirmou.
Os dados consideram exportações de carne bovina in natura, industrializada e salgada, além de miúdos, gorduras e tripas.


