FPA diz que recursos do Plano Safra são insuficientes para agro
Presidente da frente afirma que governo federal não atende necessidades do setor

O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), criticou o Plano Safra 2026/27, anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (30), e afirmou que os recursos disponibilizados são insuficientes para atender às necessidades do setor.
Em posicionamento, Lupion reconheceu que houve um esforço da equipe econômica para reduzir as taxas de juros destinadas aos produtores rurais, mas avaliou que o volume de recursos continua incompatível com a dimensão da agropecuária brasileira.
"O problema é que os recursos são ineficientes para o tamanho da produção agropecuária brasileira", afirmou.
O plano destina mais de R$ 610 bilhões ao agronegócio brasileiro. Desse total, R$ 525,1 bilhões serão direcionados à agricultura empresarial, um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao Plano Safra anterior.
Desse montante, cerca de R$ 385 bilhões serão voltados para operações de custeio e comercialização, enquanto pouco mais de R$ 140 bilhões financiarão investimentos no setor.
Já para a agricultura familiar, o governo confirmou R$ 85,2 bilhões em recursos, reforçando o apoio aos pequenos produtores.
Segundo o parlamentar, o plano prevê redução de 7,2% nos recursos destinados ao crédito de custeio e comercialização, modalidade considerada essencial para o financiamento do plantio, aquisição de insumos, manutenção da atividade produtiva e abastecimento.
Lupion também contestou o aumento de 38% nos recursos para investimentos, argumentando que a expansão decorre da inclusão de fundos que, segundo ele, não fazem parte do escopo tradicional do crédito rural.
Na avaliação do presidente da FPA, trata-se de uma "engenharia financeira" que não resolve os principais desafios enfrentados pelos produtores.
O deputado ainda destacou cortes em programas voltados à modernização da atividade agrícola. De acordo com ele, os recursos do Moderfrota sofreram redução de 54%, enquanto o programa de construção de armazéns teve queda de 28%, o que, segundo afirmou, compromete investimentos em mecanização e ampliação da capacidade de armazenagem.
Outro ponto criticado foi a redução de 14,7% nos recursos equalizados e o novo corte no seguro rural. Para Lupion, a diminuição do orçamento pode levar à menor cobertura do programa em uma década, alcançando menos de 3 milhões de hectares plantados.
O deputado argumenta que a medida ocorre em um momento de elevado endividamento dos produtores e de expectativa de impactos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
Lupion também criticou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não participar do lançamento do Plano Safra voltado à agricultura empresarial. Segundo Lupion, a ausência reforça uma divisão entre diferentes segmentos do setor agropecuário.
"O presidente da República fez questão de anunciar que não faria parte do lançamento do plano para a agricultura empresarial, causando mais uma vez a divisão de nós contra eles", afirmou.
Na avaliação do parlamentar, os valores anunciados ficaram abaixo das expectativas apresentadas pelo setor ao governo. Lupion defendeu que a prioridade seja a aprovação de medidas para renegociar as dívidas dos produtores rurais, argumentando que o elevado endividamento limita o acesso ao crédito.
"De nada adianta um produtor endividado e sem garantias, pois esse não consegue ter acesso ao crédito. Por isso, precisamos resolver o endividamento do produtor", disse.
Por fim, o deputado afirmou que as medidas anunciadas pelo governo podem não se concretizar na prática e classificou o Plano Safra como uma medida que não atenderá às necessidades dos produtores na ponta.


