Futuros do cacau sobem 7,28% em NY com preocupações com o clima e oferta

O prolongado fechamento do Estreito de Ormuz está interrompendo o fornecimento global de cacau e também contribui para a alta dos preços

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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As preocupações relacionadas ao fenômeno climático El Niño na África Ocidental e a disponibilidade de fertilizantes impulsionaram os preços futuros do cacau na sessão desta segunda-feira (04) na Bolsa de Nova York. Os vencimentos futuros atingiram o nível mais alto desde fevereiro deste ano e o contrato para entrega em julho teve uma valorização de 7,28% e encerrou precificado US$ 3.812 por tonelada.

De acordo com as informações do Barchart, o prolongado fechamento do Estreito de Ormuz está interrompendo o fornecimento global de cacau e também contribui para a alta dos preços.

"O fechamento do estreito sustenta os preços do cacau ao reduzir a oferta de fertilizantes, aumentar as taxas de frete marítimo globais, os custos de seguro e os preços dos combustíveis, elevando, assim, os custos para os importadores de cacau", informou o Barchart.

Além disso, as altas também estão sendo impulsionadas por posição vendida excessiva por parte dos fundos no mercado de cacau na bolsa.

O relatório semanal da COT (Compromisso dos traders) informou que na sessão da última sexta-feira mostrou que os fundos aumentaram suas posições vendidas em cacau de Nova Iorque em 3.499 posições líquidas vendidas na semana encerrada em 28 de abril, totalizando 19.885 posições vendidas, o maior número em mais de três anos.

Açúcar 
 
Os vencimentos futuros para o açúcar fecharam mais uma sessão com ganhos na bolsa de Nova York, em que o contrato para entrega em julho registrou avanço 2,27% e precificado em US$ 15,29 por libra-peso.

O Barchart reportou que os preços do açúcar alcançaram a maior cotação em um mês devido ao aumento dos preços da gasolina, que acumulam ganho de 3% nas cotações da gasolina. "É um fator positivo para o açúcar, já que a alta dos preços da gasolina impulsiona os preços do etanol e pode levar as usinas de açúcar do mundo todo a direcionar mais cana-de-açúcar para a produção de etanol em vez de açúcar, reduzindo assim a oferta de açúcar", informou.

Café
 

A valorização do dólar e as escalas da guerra entre  EUA e Irã impactaram os preços futuros do café na bolsa de Nova York, em que o contrato para entrega em julho registrou queda de 0,31% e fechou precificado em US$ 2,855 por libra-peso.

O Barchart informou que o fechamento do estreito impacta a oferta de café, aumentando as taxas de frete marítimo, os custos de seguro, fertilizantes e combustível, além de elevar os custos para importadores e torrefadores de café.

O mercado também segue atento a expectativa de uma safra maior de café no Brasil que é negativa para os preços. Na última quinta-feira (30), a Academia de Comércio de Café projetou que a safra brasileira de café de 2026/27 aumentará 12% em relação ao ano anterior, para 71,4 milhões de sacas.

Suco de laranja

As negociações futuras do suco de laranja fecharam com leve ganho na Bolsa de Nova York. O vencimento para entrega em julho registrou ganho de 0,85% e cotado a US$ 1.909,00 por tonelada.

Algodão

Os preços futuros do algodão finalizaram a sessão com baixas na Bolsa de Nova York. O contrato futuro para entrega em julho fechou em baixa de 1,51% e precificado em US$ 82,92 por libra-peso.

De acordo com o Pro Farmer, os contratos futuros de algodão para julho passaram por uma pressão de realização de lucros após os fortes ganhos observados no final da semana passada.

O Barchart ainda pontuou que os fundos de investimento adicionaram mais 3.891 contratos à  posição líquida comprada nos futuros e opções de algodão na semana que terminou em 28 de abril, elevando-a para 38.355 contratos.