Índia descarta restrições à exportação de açúcar

O país é o segundo maior produtor do mundo e a decisão deve influenciar nos preços da commodity na bolsa de Nova York

Por Mayank Bhardwaj, da Reuters
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A Índia, o segundo maior produtor de açúcar do mundo, não ​tem planos de restringir as exportações da commodity, ​disse o secretário de alimentos Sanjeev Chopra nesta terça-feira (7), uma vez que a queda no consumo interno compensa parcialmente a produção abaixo do esperado.

O país do sul da Ásia permitiu exportações de 1,59 milhão de toneladas métricas com base no pressuposto de que a produção excederia a demanda local.

No entanto, projeta-se que a produção fique abaixo do consumo pelo segundo ⁠ano consecutivo, devido à produção de ​cana mais fraca nos principais Estados produtores.

As preocupações com as próximas monções ​também levaram os operadores a especular que o governo poderia reduzir as alocações de exportação ⁠para o ano corrente.

"Não existe tal proposta", ⁠disse Chopra quando perguntado se a Índia imporia uma proibição ou restringiria ​as ‌exportações de açúcar para desviar matérias-primas para a produção de etanol como forma de ⁠mitigar a interrupção do fornecimento de petróleo bruto causada pela guerra do Irã.

É provável que a Índia exporte entre 750 mil e 800 mil toneladas de açúcar no ano comercial de 2025/26, que termina ‌em ⁠setembro, disse Deepak Ballani, ‌diretor geral da Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia.

A produção de açúcar em Maharashtra e Uttar Pradesh, os dois maiores Estados produtores de açúcar do país, ficou aquém ⁠das expectativas devido à menor produtividade da cana, ⁠disse Ballani.

É provável que a produção bruta de açúcar do país seja de 32 milhões de toneladas, abaixo ‌da estimativa de fevereiro, que era de 32,4 milhões de toneladas, disse ele.

A Índia também não planeja reduzir as tarifas de importação de óleos vegetais, como óleo de palma, óleo de soja ‌e óleo de girassol, disse ele.

Os preços dos óleos comestíveis no maior importador do mundo subiram, impulsionados por uma alta nos preços globais e uma rupia mais fraca, ⁠o que encareceu as importações.

O consumo de açúcar e óleos comestíveis diminuiu, pois a escassez de botijões de gás comercial forçou os restaurantes a reduzir suas operações durante a temporada de ​férias, disseram autoridades do setor à Reuters. Todo esse movimento influencia nos preços das commodities agrícolas nas bolsas americanas.

O consumo de açúcar em março caiu 200 mil ​toneladas, e espera-se que a demanda caia em uma quantidade semelhante em abril, o que reduzirá o consumo total do país no ano comercial de 2025/26, que termina em setembro, disse Ballani à Reuters.

(Reportagem de Mayank Bhardwaj)