Indústrias adotam modelo integrado para ganhar mercados e competitividade

Maior controle de qualidade, redução de custos e acesso a mercados internacionais tem levado empresas brasileiras da cadeia da carne a adotar um modelo cada vez mais integrado

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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A busca por maior controle de qualidade, redução de custos e acesso a mercados internacionais tem levado empresas brasileiras da cadeia da carne a investir em um modelo cada vez mais integrado, conhecido como “do pasto ao prato”. A estratégia combina produção pecuária, processamento industrial e canais próprios de venda, encurtando etapas e ampliando a rastreabilidade dos produtos.

A Fribal, empresa com origem no Maranhão, é um dos exemplos desse movimento. Com atuação nas três pontas do setor, o grupo exporta cerca de 40% da produção e vende para mais de 100 países, ao mesmo tempo em que fortalece o varejo próprio no Nordeste.

O avanço desse modelo acompanha uma tendência global. O Brasil figura entre os maiores exportadores de carne bovina do mundo, ao lado de países como Estados Unidos e Austrália, e a competitividade internacional tem exigido das empresas maior rigor em critérios sanitários, ambientais e de rastreabilidade.

Segundo a empresa, o foco na exportação é essencial para a competitividade do setor. O movimento acompanha a posição do Brasil entre os maiores exportadores globais de carne bovina, ao lado de países como Estados Unidos e Austrália. A abertura de mercados e as exigências sanitárias internacionais também impulsionam melhorias em genética, sanidade e qualidade do rebanho.

O vice-presidente da Fribal, Gustavo Oliveira, destacou que o grupo atua de forma integrada na cadeia da carne, mas com operações independentes entre pecuária, indústria e varejo, o que permite maior flexibilidade estratégica conforme o comportamento de cada mercado.

Segundo o executivo, essa estrutura permite finalizar a produção de acordo com a demanda, especialmente quando há variações no mercado externo. “Se tiver mais demanda para exportação, com dólar e abertura de novos mercados, a gente acaba focando a produção para exportação”, explicou.

Rastreabilidade

A companhia tem avançado no sistema de rastreabilidade total do rebanho, garantindo o acompanhamento dos animais desde a origem até o abate. A informação foi detalhada pelo vice-presidente da companhia, ao explicar o modelo de controle adotado pela empresa.

“Hoje nós temos uma fazenda de recria, a gente compra o bezerrinho. Por isso que 100% do nosso gado abatido é 100% rastreado. Todos os abates são 100% rastreados, não tem nenhum que não seja”, afirmou.

De acordo com o executivo, o sistema de rastreamento se tornou uma exigência crescente no setor e uma ferramenta essencial para garantir conformidade com critérios sanitários e ambientais.

“A gente rastreia o boi gordo. A gente compra o boi e consegue saber se a fazenda está correta, se não está em área indígena, se não tem desmatamento, se não tem trabalho escravo”, explicou.

Ele destacou, no entanto, que o nível de controle mais sensível está na origem do animal, etapa em que muitas vezes o setor enfrenta maior dificuldade de monitoramento.

“O mais importante é saber de quem você comprou o bezerro que depois virou esse boi gordo. Hoje o nosso bezerro é 100% rastreado”, completou.

A rastreabilidade total, segundo o executivo, reforça a estratégia da companhia de atender mercados mais exigentes e ampliar a competitividade da carne brasileira no exterior, além de dar maior transparência ao processo produtivo.

Mercado Interno

Ao mesmo tempo, Gustavo Oliveira ressaltou que o mercado interno também tem apresentado crescimento consistente, impulsionado pelo aumento do consumo de proteína animal no Brasil.

“Obviamente o mercado interno também a gente está crescendo. Nós percebemos que o varejo alimentar tem crescido muito, essa questão de aumento de consumo de proteína e principalmente proteína animal”, disse.

O presidente da Fribal, Carlos Oliveira, destacou que o varejo do grupo vem ganhando protagonismo dentro da operation e se consolidando como um modelo de maior valor agregado no mercado interno.

Segundo ele, a empresa tem apostado em um posicionamento premium, com lojas voltadas a consumidores de maior poder aquisitivo e foco em experiência de compra.

“O nosso varejo realmente é o que a gente espera muito dele, porque nós estamos indo muito bem. Nós temos um mercado premium, um varejo um pouco melhor do que um supermercado comum e que atinge clientes de maior poder aquisitivo”, afirmou.

O executivo ressaltou que o desempenho no mercado interno tem sido positivo, enquanto a estrutura integrada da companhia permite atender diferentes frentes, incluindo exportação, varejo próprio e parceiros comerciais.

“A gente percebeu uma mudança no consumo, com clientes buscando mais qualidade, cortes nobres e produtos diferenciados. Estamos acompanhando essa evolução”, diz a empresa.

A companhia mantém duas plantas frigoríficas no Maranhão, com abate anual de 320 mil cabeças por ano, responsáveis por abastecer tanto o mercado externo quanto o varejo próprio e grandes clientes no Brasil. Entre os parceiros está o Assaí Atacadista, que comercializa carne produzida pela Fribal no nordeste.

“A gente tem grandes cadeias de supermercados que são parceiros nossos, a gente atua com loja de carne dentro desses supermercados, principalmente no estado do Ceará, Maranhão e Piauí e os grandes atacadistas que a gente vende como é o caso do  Atacadista Assaí também”, apontou.

Nesse cenário, o varejo próprio e as parcerias comerciais ganham relevância na estratégia da companhia. “A gente tem enfocado muito no crescimento do varejo próprio e também desviando um pouco dessa nossa produção para esses grandes parceiros que a gente tem”, afirmou.

Verticalização

Na prática, a verticalização permite que as companhias tenham mais controle sobre todas as etapas, desde a genética do rebanho até a experiência do consumidor final. Isso inclui investimentos em bem-estar animal, alimentação mais eficiente e sistemas de monitoramento da origem do gado, fatores cada vez mais exigidos por importadores e grandes redes varejistas.

A verticalização da produção da empresa passou a ganhar força a partir de 2010, com a implantação dos frigoríficos de Santa Inês e, posteriormente, de Imperatriz (MA). Atualmente, as duas unidades de abate da Fribal operam sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) e respondem por cerca de 65% da capacidade de abate inspecionado no Maranhão.

“O nosso modelo é replicável. A gente pode ir para qualquer lugar do Brasil, mas estamos fazendo isso com estrutura e planejamento”, afirmou presidente da empresa.

A avaliação é que o modelo integrado tende a ganhar ainda mais espaço nos próximos anos. “Quem conseguir controlar toda a cadeia, da origem ao consumidor final, vai ter mais competitividade e mais capacidade de atender mercados exigentes”, concluiu o vice-presidente.