Concentração de negócios frigoríficos divide mercado da pecuária
Gigantes frigoríficos adquirem fazendas e operações menores para estabilizar oferta de matéria-prima, movimento que levanta questões sobre competitividade no setor

O mercado de carnes no Brasil passa por uma transformação significativa na estrutura de negócios, com uma crescente concentração por meio de gigantes do setor que adquirem fazendas de pecuária e frigoríficos menores. A estratégia de aquisição não é nova e acontece há décadas, a exemplo dos Estados Unidos, como explica a colunista do CNN Agro, Lygia Pimentel.
"O que é novidade é o processo de verticalização que as companhias estão fazendo", destaca Pimentel. Nos últimos anos, operações como a compra de ativos entre grandes empresas e fusões bilionárias, como a consolidação envolvendo grupos como Marfrig e BRF, reforçam o movimento.
Segundo a especialista, essa estrutura de negócio é comum conforme ocorre a concentração de mercado, com indústrias eficientes buscando benefícios de alavancagem. Os movimentos mais recentes reforçam a tendência de frigoríficos comprando grandes operações confinadoras.
A estratégia por trás dessa movimentação é clara: o maior custo do frigorífico é a matéria-prima, o boi. E o preço do boi varia conforme a oferta, que depende de safra e entressafra, períodos de chuva e seca. Além disso, o ciclo pecuário influencia diretamente na disponibilidade de animais para abate.
Verticalização da produção
Os frigoríficos estão buscando verticalizar a oferta para controlar mais a disponibilidade de matéria-prima. Eles precisam ter uma cadência para poder ter previsibilidade em matéria-prima, de entrega e de originação. Esse movimento ocorre nos Estados Unidos, com a compra da operação de terminação Five Rivers, embora posteriormente tenha sido desfeita por motivos secundários.
A relação entre frigoríficos e pecuaristas tradicionalmente apresenta interesses conflituosos, o que torna essa verticalização uma tentativa de estabilizar a disponibilização de matéria-prima, tornando-a mais previsível para atender com consistência os clientes, principalmente os internacionais.
Apesar do crescimento e atratividade, o mercado de commodities apresenta desafios específicos, com margem baixa e riscos, que exigem planejamento para capitalizar na eficiência, recomenda Pimentel. Nesta lógica de volatilidade do setor, a gestão eficiente de grandes empresas, e que os investidores compreendem como parte da natureza do negócio, sai na frente, destaca a especialista.



