IPCA: alimentos ficam mais baratos em agosto, mas leite e carnes pressionam
Batata, tomate, cebola e cenoura tiveram quedas de dois dígitos no mês, enquanto leite longa vida acumula alta de 27,3% no ano
Os alimentos ficaram mais baratos em agosto, mas o alívio no supermercado não foi uniforme. A alimentação no domicílio recuou 0,61% no mês, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (11), puxada principalmente pela queda dos preços de tubérculos, raízes e legumes. Ao mesmo tempo, carnes e produtos lácteos continuaram subindo e mostram que a pressão sobre algumas cadeias do agronegócio ainda permanece.
O grupo de tubérculos, raízes e legumes caiu 12,37% em agosto, com recuos de 19,89% na batata-inglesa, 11,07% na cebola, 11,22% na cenoura e 10,94% no tomate. A queda é particularmente expressiva porque esses produtos vinham acumulando altas importantes ao longo do ano.
Mesmo depois do recuo de agosto, a cenoura ainda acumula alta de 54,36% em 2026, enquanto a cebola subiu 46,93% e o tomate, 15,20%. A batata-inglesa registra alta de 17,31% no ano.
Oferta restrita
O comportamento é típico de produtos mais sensíveis às condições de oferta. Mudanças na entrada de novas safras e melhora das condições de produção provocam quedas acentuadas nos preços no varejo, especialmente depois de períodos de oferta mais restrita.
O movimento também apareceu entre algumas frutas. O morango ficou 9,94% mais barato em agosto, enquanto a maçã recuou apenas 0,29%. Já o cenário foi bastante diferente para o limão, que teve alta de 53,40% no mês e já acumula avanço de 53,62% no ano.
Queda recente ainda não apagou as altas do ano
Um dos principais retratos do IPCA de agosto é a diferença entre a variação mensal e o acumulado no ano. Produtos que ficaram significativamente mais baratos no mês continuam, em vários casos, muito mais caros do que estavam no início de 2026.
É o caso do feijão-carioca, que caiu 4,82% em agosto, mas ainda acumula alta de 42,30% no ano. O feijão-preto recuou 0,63% no mês, mas subiu 25,85% desde janeiro.
Outro exemplo é o morango. Apesar da queda de 9,94% em agosto, o produto acumula alta de 55,31% no ano.
Carne e leite seguem na direção contrária
Enquanto hortaliças e legumes deram alívio ao consumidor, as proteínas animais continuaram pressionando a cesta. O grupo de carnes subiu 0,61% em agosto e acumula alta de 6,22% no ano. Entre os cortes pesquisados pelo IBGE, o peito teve altade 2%, a alcatra subiu 1,55%, o filé-mignon avançou 1,59% e o contrafilé ficou 1,42% mais caro.
O comportamento ocorre mesmo em um cenário de queda de preços em algumas proteínas. A carne suína, por exemplo, recuou 1,30% em agosto e acumula queda de 7,31% no ano. Nas aves e ovos, o movimento também foi de baixa: o grupo caiu 1,55%, com queda de 4,15% no preço dos ovos.
Nos lácteos, a pressão é ainda mais evidente. Leites e derivados subiram 1,06% em agosto, enquanto o leite longa vida teve alta de 1,78%. No acumulado do ano, o produto já registra avanço de 27,33%.
O preço do leite é um dos pontos de maior atenção da inflação de alimentos em 2026. Além do comportamento da produção e da oferta interna, o mercado é influenciado pelos custos da atividade leiteira e pela relação entre oferta doméstica e importações.
Café muda de direção
Entre os produtos agrícolas, o café apresenta uma das mudanças mais significativas em relação ao período de forte pressão sobre os preços. O café moído caiu 1,86% em agosto e acumula queda de 15,26% no ano. O resultado contrasta com o cenário observado anteriormente, quando problemas de oferta e preços internacionais elevados pressionaram fortemente o produto.
O açúcar também contribuiu para o alívio da cesta. O açúcar cristal caiu 1,35% em agosto e acumula baixa de 10,14% no ano. O óleo de soja teve pequena alta de 0,48% no mês, mas registra queda de 10,23% desde janeiro.


