Joesley Batista conversa com Trump antes de medida sobre carne, diz jornal

Segundo reportagem do The Wall Street Journal, Joesley Batista, da JBS, se reuniu com Donald Trump um dia antes do anúncio de isenção de taxas para importação de carne bovina; não é a primeira vez que o Batista frequenta a Casa Branca

Juliana Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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Segundo reportagem do The Wall Street Journal, publicada nesta segunda-feira (31), Joesley Batista, um dos acionistas e membros do conselho da JBS, se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dia antes dele anunciar o plano para isentar as importações de carne bovina.

De acordo com a reportagem, Joesley Batista esteve no Salão Oval em 20 de agosto. Na ocasião, sugeriu ao presidente norte-americano que a carne bovina brasileira poderia ajudar a conter a alta dos preços no mercado interno, caso Trump reduzisse a taxa fixa de importação de 26%.

No dia seguinte, na sua rede social Truth Social, Trump anunciou o plano para permitir a importação temporária de carne bovina, sem taxas, para ser vendida com preço 25% abaixo do praticado no mercado interno.  A medida foi imediatamente criticada por associações de pecuaristas, que formam uma importante base eleitoral de Trump.

A reportagem destaca também que no dia seguinte a esse encontro, e horas antes do anúncio de redução das cotas para carne, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Donald Trump. Em informação confirmada pelo governo brasileiro na ligação, que teve 80 minutos de duração, foram discutidos o atual tarifaço, o combate ao crime organizado e outras pautas bilaterais.

Não é a primeira vez que Joesley Batista atua em favor do principal negócio da família

A segunda maior processadora de frango dos EUA e controlada pela JBS, a Pilgrim's Pride, contribuiu com US$ 5 milhões para a posse de Trump, em janeiro de 2025. Na época a JBS trabalhava para abrir capital na Bolsa de Nova York. O que aconteceu meses depois, em junho.

Em setembro do mesmo ano o empresário teria sido recebido por Donald Trump, em uma audiência na Casa Branca, para tratar do tarifaço imposto para as carnes.  A CNN apurou que o empresário não foi à reunião como interlocutor do governo brasileiro, nem tratou do assunto previamente com autoridades brasileiras.  Na época a JBS gerava mais de 70 mil empregados nos Estados Unidos, e isso facilitou o diálogo comercial.

Com a redução do rebanho norte-americano a empresa  fechou duas unidades processadoras no país esse ano. Além de registrar prejuízo liquido com a operação global, justamente por causa da falta de animais para abate e alto preço do boi gordo nos Estados Unidos.

O The Wall Street Journal lembra que em maio, o governo Trump apresentou um plano para suspender uma cota tarifária aplicada aos países exportadores de carne bovina. Mas o plano foi suspenso após protestos de pecuaristas, funcionários do governo, incluindo a Secretária da Agricultura, Brooke Rollins, e alguns republicanos do Congresso.

A CNN procurou a JBS que ainda não comentou sobre o encontro ou influência na decisão de Trump. O espaço segue aberto e pode ser atualizado a qualquer momento.