Kemin quer dobrar negócios na América Latina e avalia fábrica no México

A unidade no país é o principal projeto em avaliação e visa atender não apenas o mercado local, mas também a américa central

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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A Kemin Nutrição e Saúde Animal pretende dobrar de tamanho na América Latina nos próximos três anos, com expansão tanto de capacidade quanto de receita. Segundo Rubens Castro, presidente da companhia na América do Sul, a empresa avalia investimentos na região e tem o México como um dos principais focos, com a possibilidade de instalar uma fábrica própria no país até 2028.

A estratégia ocorre em um momento de transformação da indústria de proteína animal, marcado por mudanças regulatórias, restrições ao uso de antimicrobianos e maior exigência de rastreabilidade e segurança alimentar nos mercados internacionais.

“Estamos com o desafio regional de dobrar de tamanho pelos próximos três anos”, afirmou Castro. Segundo o executivo, o potencial dos mercados de atuação da companhia sustenta a expectativa de crescimento, apesar da pressão adicional sobre investimentos e recursos.

O México é, neste momento, o principal projeto em avaliação. A ideia é que uma unidade própria no país permita atender não apenas o mercado mexicano, mas também a América Central. A Kemin ainda não possui uma fábrica local e trabalha para viabilizar a nova estrutura possivelmente até 2028.

Castro afirmou que cerca de 20% do lucro líquido anual da companhia é reinvestido em inovação. De acordo com o executivo, a Kemin já desenvolveu mais de 500 patentes, resultado de uma estratégia baseada em pesquisa e desenvolvimento.

Para Castro, a chamada nutrição de precisão tende a ganhar importância diante do aumento da competitividade internacional e das exigências regulatórias. A tecnologia, segundo ele, permite às empresas buscar ganhos de eficiência, qualidade e segurança alimentar e, ao mesmo tempo, encontrar alternativas à utilização de determinados antimicrobianos.

“A agenda de nutrição de precisão se torna muito importante por conta dos seus benefícios”, afirmou.

A mudança regulatória na Europa, portanto, é vista pela Kemin menos como uma ameaça e mais como uma oportunidade de negócios. O portfólio da companhia, segundo Castro, possui soluções que podem contribuir para a substituição de antibióticos e antimicrobianos em determinadas aplicações.

O executivo avalia que a elevação da exigência regulatória também pode aumentar o nível de competitividade da indústria brasileira de proteína animal. Para ele, o Brasil já possui reconhecimento internacional pela qualidade de sua produção e precisa adaptar processos para atender às novas regras.

Diversificação ganha força

Além das mudanças regulatórias, a fragmentação do comércio global de proteínas tem levado as empresas a repensar sua concentração em determinados mercados. Castro avalia que a diversificação das exportações se tornou uma agenda estratégica, especialmente diante das restrições comerciais impostas por grandes compradores.

O executivo citou as mudanças envolvendo China e União Europeia como exemplos de fatores que aumentam a necessidade de ampliar a presença em diferentes mercados.

“Quanto maior a diversificação do meu número de clientes, eu tenho um impacto menor quando eu passo por mudanças como esta”, afirmou.

Na avaliação de Castro, muitas empresas brasileiras já vinham se antecipando a esse cenário, investindo em nutrição de precisão, adequação a restrições regulatórias e novas tecnologias. Para ele, aquelas que iniciaram esse processo antes estão em uma posição mais favorável.

Tecnologia também entra na estratégia

A expansão da Kemin ocorre em paralelo à transformação tecnológica da indústria de proteína animal. Castro afirma que automação e inteligência artificial devem ganhar espaço diante da dificuldade de contratação de mão de obra e da necessidade de elevar a produtividade.

Segundo ele, a inteligência artificial pode contribuir para otimizar processos e aumentar a velocidade das operações, desde que sejam preservados requisitos de rastreabilidade e segurança.

Na visão do executivo, a tecnologia e a inovação devem caminhar junto com a busca por eficiência econômica. Mesmo diante da alta de custos de frete e de matérias-primas, a companhia procura desenvolver soluções que gerem retorno mensurável aos clientes.

Castro afirma que, dependendo da aplicação, os produtos da Kemin podem proporcionar um retorno de aproximadamente cinco dólares para cada dólar investido pelo cliente, por meio de ganhos de produtividade e eficiência operacional.

Com a expansão prevista para a América Latina, o investimento em inovação e a pressão por novas soluções nutricionais, a companhia busca posicionar o crescimento regional como uma das principais frentes de negócios para os próximos anos.