Mercado futuro do boi rumo ao recorde de R$ 400 a arroba
Com vendas para os EUA e nova cota chinesa mercado futuro precifica, pela primeira vez, arroba acima de R$ 380 em 2027
O mercado da pecuária bovina caminha para a reta final de ano com perspectivas de preços firmes e uma combinação de fatores que, juntos, sustentam a aposta do mercado em novos recordes para o preço da arroba.
A contrato de setembro do boi gordo na B3 fechou a última sexta-feira (04) em R$ 359,20. São mais de R$ 10 acima do valor do físico. O indicador Cepea registrou R$ 347,70 para a arroba em São Paulo no mesmo dia.
Já os vencimentos futuros para outubro (R$ 374,80), novembro (R$ 378,80) e dezembro (R$ 379,65) renovaram recordes. E pela primeira vez o mercado futuro precificou a arroba acima de R$ 380 com o contrato de janeiro de 2027 em R$ 381.
A retomada dos embarques para a China e venda de carne sem taxas para Estados Unidos reforçaram o otimismo e a expectativa de mercado firme e em alta.
Segundo Hyberville Neto, especialista em mercado pecuário da HN Agro, "com a menor oferta de fêmeas projetada para os próximos meses e a retomada gradual das compras por parte dos dois principais mercados compradores do Brasil, o mercado físico tende a encontrar maior suporte a partir da segunda metade de setembro, pavimentando um início de ano forte para a cadeia da carne bovina".
Para efeito de comparação, no indicador Cepea, o preço médio da arroba, no primeiro trimestre de 2026 e com embarques já aquecidos para a China, foi de: R$ 320,60 em janeiro, R$ 342,30 em fevereiro e R$ 350,20 em março. Mesmo com a alta demanda chinesa no momento os preços estavam bem abaixo dos precificados para o início de 2027.
"Após a desaceleração nos embarques em julho e agosto, as projeções indicam a intensificação dos abates, a partir de outubro, visando o mercado chines e também o mercado interno", avalia Hyberville.
O apetite norte-americano por carne também entra na equação do mercado
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a maior parte da carne bovina importada, para tentar conter a inflação no país, virá do Brasil e da Argentina. Na última sexta-feira Trump elogiou a qualidade do produto sul-americano ao falar sobre a cota adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra, livre de taxas, que deverão abastecer o mercado norte-americano diante da oferta doméstica restrita e dos preços recordes.
Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) - e compilados pela HN Agro - mostram que os Estados Unidos compraram 31,3 mil toneladas em agosto. Salto de 389,8% em relação a agosto do ano de 2025, que marcou o momento imediato após anúncio do tarifaço.
A tendência para os Estados Unidos é de embarques ainda mais aquecidos a partir desse mês de setembro.
Apesar do impacto causado pela ausência da China (que comprou 89,9% a menos em agosto) Hyberville Neto destaca que, entre os dez principais destinos da carne bovina brasileira, sete aumentaram suas compras no mês de agosto.
Também se destacaram os avanços de 184,7% nos embarques para a Holanda, 132,5% para a Arábia Saudita e 69,4% para a Rússia. Itália, Líbia e Espanha registraram em agosto o maior volume mensal de compras da série histórica.
A arroba do boi chega aos R$ 400?
Com o mercado futuro do boi já operando próximo aos R$ 380 o cenário com arroba em R$ 400 deixou de ser um exagero.
“Não me assustaria, não seria algo surpreendente, a arroba chegar nos R$ 400", reforça Hyberville.
A confirmação vai depender de dois fatores que seguem em aberto: o ritmo real dos embarques para os Estados Unidos. E como deverá se comportar o mercado interno, o apetite do consumidor brasileiro, que tradicionalmente tende a demandar por mais carne nos últimos meses do ano.


