Itália suspende acordo de livre circulação com Espanha por crise migratória

Governo de Giorgia Meloni adotou medida após dezenas de milhares de imigrantes irem ao território espanhol de Ceuta

Angelo Amante e Crispian Balmer, da Reuters
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A Itália anunciou nesta sexta-feira (31) a suspensão por um mês das regras do Espaço Schengen, um acordo que permite a livre circulação de pessoas, com a Espanha. A ação é resposta à chegada em massa de imigrantes ao território espanhol de Ceuta, vindos do Marrocos.

O Espaço Schengen permite viagens sem necessidade de passaporte entre 29 países europeus, embora os Estados-membro possam reintroduzir temporariamente controles de fronteira por motivos de segurança ou ordem pública.

Embora a Itália não compartilhe fronteira terrestre com a Espanha, a medida afetará pessoas que se deslocam de avião ou barco entre os dois países, exigindo a apresentação de passaporte para a entrada.

O Ministério do Interior italiano informou, em comunicado, que também acordou com a França o reforço dos controles na fronteira terrestre entre os dois países, visando impedir a passagem de imigrantes sem documentação.

A polícia de fronteira realizará "verificações seletivas e direcionadas" em cidadãos de outros países que cheguem da Espanha, para confirmar se possuem a documentação necessária para viajar dentro da União Europeia.

Críticos do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni classificaram a medida como um gesto simbólico voltado ao público interno, apontando a ausência de evidências de que os imigrantes em Ceuta pretendam seguir para a Itália.

A decisão de suspender o acordo de Schengen ocorre após a Espanha anunciar que havia contido a onda de imigrantes em seu território no norte da África, sendo que a maioria das cerca de 50 mil pessoas que haviam cruzado a fronteira teria retornado voluntariamente.

A coalizão de Meloni, que assumiu o poder em 2022 com a promessa de reduzir a imigração ilegal, tem enfrentado forte pressão de um novo partido liderado pelo ex-general do Exército Roberto Vannacci, cuja retórica anti-imigração tem encontrado apoio entre alguns eleitores.

Com a questão migratória novamente em destaque no noticiário, o governo busca demonstrar firmeza na segurança das fronteiras. Opositores acusaram o governo de ceder a uma agenda populista.

"O problema é que se trata de uma proposta puramente demagógica, concebida — como de costume — para consumo interno e para competir com Vannacci, sem resolver absolutamente nada", afirmou Piero De Luca, parlamentar de destaque do Partido Democrático.