O que é o greening? Entenda a doença que avança nos pomares brasileiros
O greening (HLB), principal doença dos citros no mundo, foi identificado no Rio Grande do Sul e preocupa produtores de laranja, limão e tangerina.

O greening, também conhecido como huanglongbing e HLB, chegou às lavouras do Rio Grande do Sul e começa a assustar os citricultores de todo o país.
A doença fúngica cresceu 7,4% em um ano e chegou a 47,63% das lavouras de São Paulo e Triângulo Mineiro, segundo o Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura).
A doença não tem cura é já consumiu mais de US$ 2 bilhões nos EUA na tentativa de ser controlada.
O que é o greening?
É uma doença causada por uma bactéria transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri. O inseto tem coloração branca acinzentada e manchas escuras nas asas, com comprimento de 2 mm a 3 mm.
Encontrado pela primeira vez na Ásia há mais de 100 anos, foi identificado no Brasil em 2004, no estado de São Paulo. Hoje, está presente em todas as regiões citrícolas paulistas e pomares de Minas Gerais e Paraná, além de Argentina e Paraguai, na América do Sul, em quase todos os países da América Central e Caribe, e México e Estados Unidos, na América do Norte.
Tanto a bactéria quanto o psilídeo se reproduzem em todos os tipos de citros (laranjas, tangerinas, mexericas, limas-ácidas e limões). Os insetos se alimentam de plantas sadias e disseminam a bactéria.
A bactéria vive nas ‘veias’ das plantas (vasos do floema), por meio das quais ela se espalha rapidamente para todas as partes da árvore: raízes, ramos, folhas e frutos. Quando há sintomas nas folhas ou frutos da extremidade dos galhos, a bactéria já se espalhou para toda a planta, inclusive parte baixa do tronco e raízes.
É por isso que a poda de ramos com sintomas é inútil e até perigosa, alerta do Fundecitrus. Além de não curar a planta, as brotações que surgem após a poda servem como atrativo para o inseto vetor, que irá adquirir a bactéria e disseminá-la para plantas sadias, provocando novas infecções.
Sintomas do greening
Após a transmissão da bactéria pelo psilídeo, os sintomas do greening começam a aparecer nas folhas das árvores mais ou menos quatro meses depois e continuam a aparecer ao longo do ano. Uma planta infectada, mas ainda sem sintomas, já pode servir de fonte da bactéria para plantas sadias.
Os principais sintomas do greening são:
- folhas amareladas de forma irregular;
- frutos pequenos e deformados;
- amadurecimento desigual;
- queda de produtividade;
- morte gradual da planta.
Combate à doença
Para controlar o greening, é preciso vistoriar as árvores para verificar se há ovos ou insetos adultos. Tanto a aquisição quanto a transmissão da bactéria ocorrem depois de 15 minutos de alimentação, mas quanto mais tempo ele se alimenta, maiores são as taxas.
A aquisição também é maior quando o psilídeo está na fase de ninfa, e a transmissão maior em brotos do que em folhas maduras.
O correto é eliminar a árvore com greening onde quer que ela esteja localizada no pomar e tão logo seja encontrada. Também é importante avisar o Fundecitrus.
O controle da doença é regulamentado no Brasil pela Portaria nº 317, de 21 de maio de 2021, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e, em São Paulo, pela Resolução nº 88, de 7 de dezembro de 2021, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA).
De acordo com a Portaria nº 317 do MAPA e a Resolução nº 88 da SAA, o produtor deve inspecionar e eliminar as plantas com greening regularmente, pelo menos até o oitavo ano após o plantio, e sempre controlar adequadamente o psilídeo, de modo a evitar que ele se multiplique dentro dos pomares.


