PF faz operação para investigar disseminação de doença em ararinhas-azuis
São cumpridos cinco mandados de busca e apreensão; ação é realizada na Bahia e no Distrito Federal

A PF (Polícia Federal) realiza, na manhã desta quarta-feira (3), uma operação para investigar a disseminação de uma doença que atinge as ararinhas-azuis, espécie criticamente ameaçada de extinção. A operação batizada de "Blue Hope" é realizada na Bahia e no Distrito Federal.
Ao todo, são cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, no município baiano de Curaçá e em Brasília, capital Federal.
Foram mobilizados 30 policiais federais para a ação, que tem como objetivo a apreensão de aves e dispositivos eletrônicos.
As investigações revelaram indícios de que empresas ligadas ao programa de reintrodução da ararinha-azul descumpriram protocolos sanitários obrigatórios, o que permitiu a introdução e PBFD (Propagação do Circovírus Aviário). Segundo a PF, a doença é altamente contagiosa e sem tratamento. Além disso, pode comprometer a sobrevivência da espécie e afetar outras aves.
Os policiais apuraram, ainda, que houve resistência às medidas emergenciais determinadas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), como isolamento sanitário, testagem seriada e recolhimento de aves de vida livre.
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Os investigados poderão responder pelos crimes de disseminação de doença capaz de causar dano à fauna, matar animais da fauna silvestre e obstrução de fiscalização ambiental. Somadas, as penas podem chegar a oito anos de reclusão.
Animais infectados
O ICMBio informou que subiu para 31 o número de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) com resultado positivo para circovírus, na cidade de Curaçá, na Bahia.
Segundo a investigação epidemiológica, divulgada nesta terça-feira (2), a origem do circovírus detectado, um vírus letal para as aves, ainda é incerta.
O instituto informou que a prioridade é a contenção da disseminação do vírus, uma vez que este patógeno coloca em risco, além das próprias ararinhas, todas as populações de araras, papagaios e periquitos da região.
Criadouro Ararinha-azul
Em nota, a defesa do Criadouro Ararinha-azul afirmou que a investigação já era esperada, uma vez que foi o próprio criadouro quem comunicou a detecção do vírus. Ainda pontua que sempre atendeu todas as normas de biossegurança e ressalta que todas as 103 ararinhas que vivem no local estão recebendo os cuidados apropriados, com bom estado clínico geral.
Nota na íntegra:
A defesa do Criadouro Ararinha-azul informa que a Polícia Federal apreendeu celulares e computadores de funcionários da empresa, e que as aves permanecem no criadouro, aos cuidados dos colaboradores e sob a tutela do Estado.
Ressalta que mantém total tranquilidade em relação à operação sobre o circovírus no Brasil e acrescenta que a investigação já era esperada, pois foi o próprio criadouro quem comunicou a detecção do vírus a todos os órgãos ambientais, em maio de 2025.
A primeira detecção do circovírus ocorreu em um filhote de ararinha-azul nascido em vida livre, e não em cativeiro.
O criadouro sempre atendeu todas as normas de biossegurança e ressalta que todas as 103 ararinhas que vivem no local estão recebendo os cuidados apropriados, com bom estado clínico geral.
Também é importante assinalar que as ararinhas, como os demais Psitacídeos Tropicais, são especialmente resistentes ao circovírus.
No âmbito da investigação, serão apuradas e demonstradas a conduta regular e lícita do criadouro em todos os aspectos, uma vez que sempre seguiu rigorosamente todos os protocolos exigidos pelos governos brasileiro e alemão.
O único ponto de divergência do criadouro com o ICMBio foi sobre a captura das ararinhas em vida livre, que apresentaram testes negativos. A empresa entrou com uma ação na Justiça e conseguiu uma liminar para a suspensão da captura.
Depois da manifestação do ICMBio, o juiz revogou a liminar e a notificação administrativa de captura foi cumprida no prazo de 20 dias pelo criadouro.
Por fim, confiamos que as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal resultarão no completo esclarecimento dos fatos e, posteriormente, a idoneidade da empresa será reconhecida pela Justiça.
Esperamos que, após as investigações, o projeto de criação, manejo e preservação da espécie no Brasil, de tamanha relevância para o meio ambiente, possa continuar.

