Plano Safra: taxas são as melhores possíveis no momento, diz secretário

Secretário Guilherme Campos afirmou em coletiva que o programa foi impactado principalmente pela utilização de recursos equalizados em operações de renegociação de dívidas

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
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O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Guilherme Campos, afirmou em coletiva de imprensa após o anúncio do Plano Safra 2026/27 que o programa foi impactado principalmente pela utilização de recursos equalizados em operações de renegociação de dívidas realizadas ao longo deste ano e do ano anterior.

Segundo o secretário, esses recursos têm origem no Tesouro Nacional e, quando há repactuação e renegociação de dívidas, parte do montante é comprometida com essas operações. Ele explicou que esse movimento influencia a disponibilidade de recursos para novas contratações dentro das condições do plano.

“As taxas de juros são as melhores que nós conseguimos colocar para esse momento. E desafio achar no mercado de financiamento brasileiro taxas de juros melhores que essas ofertadas pelo Plano Safra. Nós podemos entrar no contexto do patamar da taxa Selic, aí eu concordo em gênero, número e grau, é um patamar muito alto”, afirmou.

Em relação ao volume de recursos, o secretário defendeu que “se perguntar para nós se isso é suficiente, nós pleiteamos e lutamos por mais, mas entra a parte da responsabilidade fiscal do governo que dá o limite do que pode ser concedido”.

O secretário adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Wilson Araújo, afirmou que nas fases iniciais do Plano Safra, os recursos orçamentários eram suficientes para financiar a safra. Com o tempo, afirmou, houve uma diversificação das fontes de financiamento, com a criação de instrumentos como a Caderneta de Poupança Rural, fundos e títulos do agronegócio, além de FIDCs.

Ele destacou que esse processo é evolutivo e que a disponibilidade de recursos depende também das condições do mercado. “Pode ser que, no futuro, a gente identifique novas fontes que venham se somar ao financiamento da agricultura brasileira”, afirmou.

O secretário adjunto acrescentou ainda que a demanda por financiamento no setor é elevada. “A gente não tem limite: a demanda nossa passa de R$ 1 trilhão por ano para a safra brasileira”, disse.

Em relação ao seguro rural, Campos afirmou que o tema está sempre presente na pauta, especialmente em meio à expectativa de um El Niño mais forte ao longo do ano-safra. Devido às limitações de orçamento, essa discussão de seguro, pela sua importância, vai ficar, juntamente com tudo aquilo que o governo federal vem fazendo de medidas de mitigação aos efeitos do El Niño (...) no grupo de trabalhos, comitê de crise para essa questão de analise de efeitos do El Niño”. 

Moveagro e EcoInvest

Sobre o Moveagro, o secretário afirmou que a iniciativa “é uma novidade muito bem-vinda”. Segundo o secretário, o programa prevê a aplicação de cerca de R$ 10 bilhões a uma taxa de juros de 9%. Ele destacou que, dentro das fontes atualmente disponíveis no Plano Safra, não seria possível estruturar um programa com essa mesma abrangência.

O secretário explicou ainda que, por estar inserido no âmbito da Finep, o mecanismo é voltado à pessoa jurídica. No entanto, segundo ele, havia a necessidade de permitir também o acesso por pessoas físicas. Por esse motivo, foi editada uma medida provisória para viabilizar a participação desse público no Moveagro.

Em relação ao EcoInvest, o secretário afirmou que o programa se caracteriza por utilizar recursos com menor impacto orçamentário e por ter origem em fontes internacionais.

De acordo com o secretário, o objetivo do EcoInvest é apoiar a recuperação de terras degradadas, permitindo a atração de capital externo para esse tipo de investimento. Ele destacou que essa estratégia possibilita a ampliação da área agrícola sem a necessidade de desmatamento, contribuindo para a recuperação de áreas produtivas e para a ampliação da oferta de recursos ao produtor rural no âmbito do Plano Safra.