Preço do milho sobe com oferta limitada e cenário externo incerto

Em Sorriso (MT), saca do cereal alcançou média de R$ 47; piora das lavouras nos EUA e riscos logísticos no Mar Negro sustentaram as cotações

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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O preço do milho avançou 12% em agosto em Sorriso (MT), para uma média de R$ 47 por saca, segundo dados do Agro Mensal, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA. A alta ocorreu mesmo com o avanço da colheita de uma safra brasileira de grande volume e foi sustentada pela retenção da oferta por produtores, pelo câmbio e por um cenário externo mais firme.

Nos Estados Unidos, a piora das condições das lavouras e a perspectiva de redução dos estoques finais reforçaram a percepção de um mercado mais ajustado. Ao fim de agosto, 57% das plantações norte-americanas de milho estavam classificadas como boas ou excelentes, ante 69% no mesmo período do ano passado.

A oferta global também passou a incorporar riscos relacionados à logística. Ataques à infraestrutura portuária da Rússia ampliaram as preocupações sobre o fluxo de cereais pelo Mar Negro, aumentando a volatilidade das cotações internacionais.

Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento do milho acumulou alta de 5,7% em agosto, com preço médio de US$ 4,68 por bushel.

Mercado brasileiro

No Brasil, parte dos produtores restringiu a oferta no mercado disponível diante da expectativa de novas altas. Ao mesmo tempo, compradores domésticos mantiveram aquisições pontuais para recompor estoques.

A valorização do milho em Chicago e o comportamento do câmbio também ajudaram a sustentar os preços no mercado interno, mesmo com o avanço da colheita.

Para os próximos meses, o mercado começa a concentrar as atenções na safra 2026/27 da América do Sul. O relatório de setembro do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu a estimativa para a produção americana e apontou queda dos estoques mundiais, levando o balanço global a um dos níveis mais apertados dos últimos anos.

Brasil e Argentina, por outro lado, projetam aumento de área plantada na próxima temporada. A concretização desse potencial, porém, dependerá das condições climáticas ao longo do ciclo.

No Paraná, por exemplo, a área destinada ao milho de primeira safra deve crescer 2%, segundo o relatório, impulsionada pela demanda da cadeia de proteínas animais.

“Os estoques globais continuam em trajetória de redução e o mercado passa a ficar cada vez mais dependente do desempenho da próxima safra sul-americana. Com um balanço mundial mais ajustado, qualquer alteração relevante no clima ou na produtividade tende a ter impacto mais significativo sobre os preços nos próximos meses”, afirma Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA.