Produção de algodão deve atingir 4,2 milhões de toneladas em 2025/26
Estimativa da Agroconsult para a safra 2025/26 aponta pequena queda de 1,5% com ganho de produtividade compensando área menor

A produção brasileira de algodão na safra 2025/26 deve alcançar 4,2 milhões de toneladas de pluma, segundo estimativa preliminar da Agroconsult. Apesar da redução de 4,1% na área cultivada, a expectativa é que o ganho de produtividade compense parte das perdas, limitando a queda da produção a 1,5% em relação ao ciclo anterior.
Os números serão validados durante a segunda edição da Etapa Algodão do Rally da Safra, que inicia os trabalhos de campo na próxima segunda-feira (27). As equipes técnicas percorrerão as principais regiões produtoras da Bahia e de Mato Grosso para avaliar as condições das lavouras durante a colheita.
A estimativa pré-Rally aponta que a área plantada totaliza 2,12 milhões de hectares, enquanto a produtividade média deve atingir 318 arrobas de algodão em caroço por hectare, desempenho considerado suficiente para reduzir o impacto da menor área destinada à cultura.
Segundo Heloisa Melo, sócia-diretora da Agroconsult e coordenadora técnica da Etapa Algodão, o levantamento combina imagens de satélite com visitas presenciais às propriedades rurais para mensurar tanto a área efetivamente cultivada quanto às condições sanitárias das lavouras.
"Utilizamos uma metodologia que inclui o mapeamento por satélite para garantir a exatidão do tamanho da área plantada e de dados sobre áreas irrigadas, além do diagnóstico técnico in loco da safra de algodão, com identificação das principais doenças, pragas e plantas daninhas", afirmou.
Mato Grosso lidera produção
Maior produtor nacional, Mato Grosso deve colher 2,9 milhões de toneladas de pluma, volume 5,6% inferior ao registrado na safra passada. A redução acompanha a diminuição de 6,5% na área plantada no estado. Ainda assim, a produtividade média é estimada em 318 arrobas por hectare, acima das 315 arrobas observadas no ciclo anterior.
A Agroconsult destaca que a região Médio-Norte consolidou sua posição como a maior área produtora de algodão do estado e do país. A exceção fica para o Leste mato-grossense, onde a irregularidade das chuvas pode limitar o desempenho das lavouras.
Bahia deve ampliar produção
Na Bahia, a área plantada deve permanecer estável em 425 mil hectares. O avanço das áreas irrigadas deve compensar a redução das lavouras de sequeiro, elevando a participação da irrigação para quase metade da área cultivada no estado.
Com esse cenário, a produção baiana pode crescer 10,6%, chegando a 882 mil toneladas de pluma, sustentada por uma produtividade estimada em 335 arrobas por hectare. Segundo Heloisa Melo, os primeiros talhões colhidos apresentam desempenho acima das expectativas.
Déficit global pode sustentar preços
Além do cenário doméstico, a Agroconsult projeta um mercado internacional mais apertado para a temporada 2026/27. A expectativa é de um déficit global próximo de 600 mil toneladas de algodão, resultado da redução da oferta em importantes produtores, como Austrália, Estados Unidos e, possivelmente, China e Índia.
De acordo com a consultoria, problemas climáticos, como os impactos do El Niño sobre as monções na Índia e dificuldades nas condições de plantio nos Estados Unidos, devem limitar a produção mundial e contribuir para a sustentação dos preços internacionais da fibra ao longo do ciclo.
Os resultados consolidados da Etapa Algodão do Rally da Safra serão apresentados durante o Congresso Brasileiro do Algodão, em 22 de setembro, após uma nova rodada de análises de imagens de satélite e das avaliações realizadas em campo.


