Rabobank: safra menor de laranja não deve recuperar preços do suco

Banco estima uma tendência de safras menores nos próximos anos, com pressão do clima, custos de produção e de tendência de contração; levantamento divulgado nesta quarta também traz perspectivas para milho, soja, leite e carne

Arthur Bambini, da CNN Brasil*, Brasília
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A safra de laranja 2026/27, projetada em 255 milhões de caixas, deve ter uma redução na produtividade dos frutos, segundo estimativas do Rabobank divulgadas nesta quarta-feira (24). De acordo com o banco, o número médio de frutos por árvore deve ser 17% menor, atingindo 514 frutos por árvore. 

O levantamento mostra que a queda acontece apesar do crescimento do número de árvores produtivas em São Paulo, que deve chegar a 184,3 milhões. 

Segundo estimativas do banco, a tendência a longo prazo é de safras progressivamente menores. 

O Rabobank avalia que o movimento de queda é reflexo de uma série de fatores estruturais: clima quente e seco, disseminação de doenças como greening, aumento nos custos de produção e o movimento de contração no mercado internacional. 

As projeções dessa safra somadas à queda na demanda devem aumentar o estoque internacional da bebida, o que deve manter essa tendência e pressionar as margens dos produtores.

Milho 

Para a safra de milho, o Rabobank projeta incremento de 138 milhões de toneladas, aumento de 1 milhão de toneladas frente à última estimativa. Segundo o relatório divulgado em junho, esse crescimento é reflexo das condições favoráveis para o desenvolvimento do milho safrinha em Mato Grosso, que compensaram perdas de produtividade em outros estados. 

Com a valorização do real e o aumento na concorrência com o milho argentino e norte-americano, o RaboResearch projeta um recuo nas exportações brasileiras.

A projeção do banco em junho mostra ainda que os embarques devem somar 39 milhões de toneladas, um recuo de 3 milhões de toneladas frente ao volume exportado em 2025. 

Segundo o banco, a alta de 10% do frete rodoviário apresentada no primeiro semestre do ano, além de diminuir as margens do produtor, pode aumentar a oferta para o mercado interno. 

Com esse conjunto de fatores, o relatório projeta um aumento no consumo interno, com foco no setor de proteína animal e de etanol. Ao todo, o RaboResearch projeta um aumento de 5% no consumo, totalizando 97 milhões de toneladas.

Soja 

No primeiro semestre, as cotações da oleaginosa sofreram forte influência do cenário geopolítico internacional e da expectativa de venda de 20 milhões de toneladas dos EUA para a China.

Com a expectativa de uma safra recorde no Brasil (182 milhões de toneladas) o RaboResearch projeta também um aumento expressivo no lado do consumo. Para o esmagamento, as projeções são de um aumento gradual, motivado pelo aumento das margens e da demanda por derivados. 

Em 2026, o banco estima que os embarques de soja possam chegar a 113 milhões de toneladas.  

Leite 

Os dados divulgados também mostram que com as margens apertadas após uma forte correção de preços em 2025, a produção de leite teve um aumento marginal no segundo trimestre de 2026 depois de crescer apenas 3,3% nos três primeiros meses. 

O RaboResearch projeta que a produção total do ano se encerre em um nível próximo do volume atingido em 2025, 27,5 bilhões de litros na captação formal. 

O relatório mostra ainda que as importações se mantenham elevadas no segundo semestre, motivados pela valorização do real e preços estáveis no mercado internacional.

Carne bovina

Para o banco, apesar do bom ritmo de embarques no início do ano, a expectativa de preenchimento da cota chinesa ainda em junho deve diminuir o fluxo de embarques no terceiro trimestre.

Na avaliação do Rabobank, apesar do pedido de autoridades brasileiras, não deve haver flexibilização das cota, o que deve impulsionar os embarques para os Estados Unidos, segundo principal destino da proteína bovina nacional. 

Segundo o levantamento, a decisão da União Europeia de proibir a importação de produtos de origem animal do Brasil também deve exercer pressão negativas nas cotações da arroba no mercado internacional. 

Assim, o banco projeta cotações mais baixas para o arroba no segundo semestre em comparação ao primeiro, uma inversão no ritmo tradicional.

(Sob supervisão de Cristiane Noberto)