SLC Agrícola tem lucro de R$ 236 milhões no 1º tri, recuo de 53,8%
Companhia registrou queda de 2,7% na receita, impulsionada pela redução do faturamento do algodão e da soja

A SLC Agrícola registrou lucro líquido de R$ 236,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, um recuo de 53,8% em relação aos R$ 510,7 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
A variação sobre o resultado líquido é explicada pela redução do lucro bruto, sobretudo em soja e algodão (pluma e caroço), pela piora do resultado financeiro em função do maior endividamento e pelo aumento das despesas administrativas e de vendas.
A receita líquida da companhia totalizou R$ 2,26 bilhões no trimestre, uma queda de 2,7% quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado, quando a receita totalizou R$ 2,33 bilhões. O resultado foi impulsionado pelo menor volume faturado de algodão em pluma, soja e caroço de algodão no trimestre.
O Ebitda ajustado (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) da empresa totalizou R$ 695,2 milhões, um recuo de 26,3% em relação aos R$ 943,6 milhões registrados há um ano. A soja foi o principal vetor desse desempenho, impactada pelo mix de fazendas com faturamento no trimestre, cuja produtividade ficou abaixo da média consolidada da Companhia.
A dívida líquida ajustada da companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 em R$ 6,6 bilhões, apresentando um aumento de R$ 1,3 bilhão em relação a 2025. No que se refere ao reperfilamento do endividamento, observou-se uma melhora em relação ao quarto trimestre de 2025, com a participação da dívida de longo prazo aumentando de 78% para 81% no primeiro trimestre de 2026.
A gestão afirma que o primeiro trimestre de 2026 foi marcado pelo recorde histórico de produtividade da soja com 424,6 mil hectares plantados e uma produtividade média de 4.146 kg/ha, o que representa um incremento 4,7% por hectare quando comparada à safra passada.
Investimentos
Os investimentos totalizaram R$ 292,4 milhões no trimestre, o que configura uma queda de 71,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Essa redução se refere à aquisição de terras realizada em 2025, da Fazenda Paladino, em São Desidério (BA) e em Unaí (MG), no valor de R$ 841,7 milhões.
Dentre outros segmentos, máquinas, implementos e equipamentos somaram R$ 151,2 milhões em investimento, um crescimento de 23,1%; obras e instalações registraram expansão com R$ 81,3 milhões, aumento de 261,2%; e a alocação de capital na usina de beneficiamento de algodão, que atingiu R$ 11,9 milhões. Por outro lado, a correção de solo, armazenamento de grãos, limpeza de solo, veículos e software apresentaram redução de aportes.
Safra 2025/26
Com relação a safra 2025/26, a SLC indica que avançou na comercialização da produção com 79,2% da soja, 47% do milho e 84,6% do algodão já fixados, somados os compromissos.
O algodão 1ª safra está na fase final de maturação e bem encaminhado para o início da colheita. O algodão 2ª safra e o milho 2ª safra avançam bem. Para o milho 2ª safra, há atenção adicional, uma vez que parte das áreas foi semeada levemente fora da janela ideal e, portanto, depende de um volume e distribuição adequados de chuvas nas próximas semanas para assegurar o pleno enchimento de grãos e a consolidação do potencial produtivo.
Projeção para a safra 2026/27
Para a safra 2026/27 a companhia destaca que já realizou a compra de 100% dos fosfatados e 85% do cloreto de potássio, com 4,3% de aumento em dólar, tendo como base o planejamento agrícola da safra 2025/26. Os defensivos também já foram comprados, 74,3% do volume necessário com queda de 6,3% em dólar.
O nitrogênio ainda não foi comprado, devido aos impactos do conflito iniciado no final de fevereiro de 2026 entre EUA, Israel e Irã, que teve impacto significativo e imediato sobre os mercados globais de fertilizantes. As restrições impostas pelo Irã elevaram custos e causaram atrasos relevantes para a empresa.


