SLC Agrícola tem lucro de R$ 245 milhões no 2º trimestre, alta de 75%
Companhia registrou receita de R$ 2,1 bilhões impulsionados por maiores volumes de produtos e preços favoráveis de commodities

A SLC Agrícola registrou lucro líquido de R$ 245 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 75,3% em relação aos R$ 139,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado foi acompanhado pelo avanço da receita e do Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, em meio ao aumento da produção e a um desempenho mais favorável nas culturas de algodão e soja.
A receita operacional líquida somou R$ 2,1 bilhões entre abril e junho, crescimento de 16,8% na comparação anual. Segundo a administração, o resultado estabeleceu um novo recorde para um segundo trimestre e foi sustentado pelo maior volume faturado de algodão, soja, milho e rebanho bovino, além de preços mais favoráveis para algumas commodities. No mesmo período do ano passado, a receita foi de R$ 1,8 bilhão.
O Ebitda ajustado alcançou R$ 580,5 milhões no trimestre, avanço de 4,3% sobre os R$ 556,5 milhões registrados um ano antes. A margem Ebitda ajustada ficou em 26,7%.
Safra
Na safra 2025/26, a SLC Agrícola afirma ter mantido indicadores positivos de eficiência mesmo com crescimento de 13,1% na área plantada. A colheita da soja foi encerrada com produtividade recorde de 4.146 quilos por hectare, 4,7% acima do registrado na temporada anterior.
Para o algodão, a companhia projeta produtividade 12,2% superior à obtida em 2024/25, considerando a média da primeira e da segunda safras. Já no milho segunda safra, a empresa prevê uma redução de 12,1% na produtividade, para 6.798 quilos por hectare, devido a impactos na janela de plantio e à falta de chuvas na fase final do ciclo.
A companhia afirma que já fixou parte relevante das vendas da safra 2025/26: 90,2% da soja, 94,7% do algodão e 54,1% do milho.
Segundo a administração, a maior parte do custeio da safra já foi paga, enquanto 100% da produção de algodão e 99% do milho ainda estavam por ser faturados e entregues aos clientes ao fim do trimestre. A expectativa é de que as vendas contribuam para a redução da alavancagem no segundo semestre.
Dívida e próxima safra
Apesar do aumento da dívida líquida associado à expansão das operações, a SLC afirma ter mantido o alongamento dos prazos de vencimento.
Para a safra 2026/27, a empresa encerrou o trimestre com quase a totalidade das necessidades de fosfatados e potássio adquiridas. Também avançou na contratação de defensivos e nitrogênio.
A companhia ampliou ainda as posições vendidas e protegidas para a próxima safra. A posição de hedge já fixada corresponde a 49,2% da soja e 55% do algodão, considerando os compromissos.
Terras e expansão
A SLC concluiu no trimestre a remensuração de seu portfólio de terras. As propriedades próprias e aquelas vinculadas às associações com fundos de investimento em participações foram avaliadas em R$ 13,5 bilhões.
Segundo a companhia, houve valorização do preço médio do hectare agricultável, enquanto os ativos registraram ganho real anual de 8,4% nos últimos cinco anos. O Valor Líquido dos Ativos encerrou junho em R$ 27,12 por ação.
Após o encerramento do trimestre, a empresa anunciou a aquisição de 8,9 mil hectares agricultáveis do Grupo Radar e a manutenção do arrendamento de outros 8,7 mil hectares junto aos novos arrendatários. Com a operação, não haverá alteração na área total operada pela companhia.
A aquisição amplia a participação de áreas próprias em uma região já conhecida pela SLC e, segundo a administração, em um cluster considerado operacionalmente eficiente.
A empresa também inaugurou a nova algodoeira da Fazenda Parnaguá, no Matopiba. A unidade é a maior estrutura de beneficiamento de algodão da companhia e amplia a capacidade industrial para acompanhar o crescimento da produção na região.
Na avaliação da administração, os resultados do trimestre reforçam a estratégia de expansão da companhia, apoiada na combinação de escala, eficiência operacional, qualidade dos ativos e disciplina na alocação de capital.


