Soja cai em Chicago com mercado atento a compras chinesas e biocombustíveis

Rumores de novas compras da China e proposta dos EUA para ampliar a mistura de biocombustíveis sustentam as expectativas de demanda por soja e óleo de soja

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo

Os sinais de possível aumento da demanda por soja e derivados nos Estados Unidos movimentaram o mercado da oleaginosa nesta terça-feira (13), com investidores atentos a possíveis compras chinesas e a mudanças nas regras de biocombustíveis do país. Apesar desse cenário, o contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou o pregão na Bolsa de Chicago em queda de 0,31%, cotado a US$ 12,83 por bushel.

Segundo a Granar, rumores de novas aquisições de soja americana pela China estão no radar dos operadores. A expectativa é de que eventuais vendas sejam divulgadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quarta-feira (14). A valorização do óleo de soja, acompanhando a alta do petróleo, também contribui para sustentar as cotações dos derivados e influencia o mercado da oleaginosa.

O petróleo, negociado acima de US$ 90 por barril, ganhou impulso após a Bloomberg informar que a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) pretende compensar a demanda por biocombustíveis perdida com as isenções concedidas a pequenas refinarias das exigências de mistura de combustíveis renováveis.

De acordo com a agência de notícias, a proposta prevê transferir integralmente para as obrigações de mistura de 2026 e 2027 a diferença entre os volumes exigidos e aqueles dispensados às pequenas refinarias em 2025. A medida aumentaria as obrigações futuras de uso de biocombustíveis produzidos a partir de matérias-primas agrícolas, como milho e soja.

Em comunicado citado pela Bloomberg, a EPA afirmou que a iniciativa busca ampliar os mercados para os agricultores americanos e garantir canais de comercialização mais estáveis para suas colheitas.

Milho

A expectativa de uma demanda maior por biocombustíveis nos Estados Unidos divide a atenção dos investidores do mercado de milho com as perspectivas de ampla oferta na próxima safra. Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda de 0,05%, cotado a US$ 4,82 por bushel.

Segundo a Granar, os preços do cereal encontravam sustentação nas notícias relacionadas à política americana de biocombustíveis.

Por outro lado, as perspectivas de oferta elevada nos Estados Unidos limitam a recuperação das cotações. Em seu relatório mensal divulgado na sexta-feira, o USDA estimou a produção americana de milho em 407,28 milhões de toneladas para a safra 2026/27, acima da expectativa média dos operadores, de 399,20 milhões de toneladas.

A entrada da nova safra americana no mercado também pressiona os preços, diante da maior disponibilidade do cereal. Além disso, a valorização do dólar em relação ao euro torna o milho dos Estados Unidos menos competitivo para compradores europeus, justamente em um momento em que a União Europeia precisa ampliar as importações do grão.

Com isso, as perspectivas de maior demanda associadas aos biocombustíveis encontram resistência no cenário de ampla oferta americana e nas condições cambiais, mantendo as cotações do milho próximas da estabilidade na sessão.

Trigo

As incertezas sobre o comércio de grãos na região do Mar Negro e o movimento de recomposição de posições por investidores influenciaram as negociações do trigo nos mercados internacionais. Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda de 0,45%, cotado a US$ 6,69 por bushel.

Segundo a Granar, os investidores passaram a buscar oportunidades de compra após um período prolongado de liquidação de contratos. O movimento ocorre depois de o trigo acumular seis semanas consecutivas de perdas até a última sexta-feira, o que abriu espaço para uma tentativa de recuperação das cotações.

No cenário geopolítico, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia segue no radar do mercado, diante dos riscos para o fluxo de produtos agrícolas pelo Mar Negro. As perspectivas de uma solução para o conflito permanecem incertas, mantendo a atenção dos operadores sobre possíveis impactos no comércio internacional.