Soja fecha em alta em Chicago com suporte do farelo e compras chinesas

Mercado recuperou força ao longo do pregão, enquanto proximidade da colheita nos EUA e pressão dos fundos limitaram os ganhos

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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A soja conseguiu reverter a pressão registrada no início do pregão e terminou esta quinta-feira (03) em alta na Bolsa de Chicago, apoiada principalmente pela valorização do farelo. O contrato com vencimento em novembro avançou 0,46% e fechou a US$ 13,16 por bushel.

De acordo com a Agrinvest, o farelo ganhou força diante da piora nas condições das lavouras americanas e ajudou a sustentar o complexo da soja. O óleo, por outro lado, permaneceu no campo negativo e limitou uma alta mais expressiva da oleaginosa, apesar de também ter reduzido parte das perdas ao longo da sessão.

A soja também encontrou suporte em novas compras chinesas e no ritmo acelerado de comercialização da safra 2026/27. A demanda ajudou a compensar parte da pressão vendedora exercida pelos fundos de investimento, que segue mais intensa no mercado de commodities agrícolas, especialmente no trigo.

Entre os fatores que limitaram a valorização, está justamente a atuação dos especuladores, além da proximidade do início da colheita nos Estados Unidos. Com o avanço dos trabalhos no campo, a expectativa de entrada de uma nova oferta tende a ganhar cada vez mais influência sobre as cotações nas próximas semanas.

Segundo a Granar, a queda do petróleo continua refletindo as preocupações com as isenções concedidas pela EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) a pequenas refinarias que solicitaram dispensa das exigências obrigatórias de mistura de biocombustíveis. O movimento reduz as perspectivas de demanda por biocombustíveis e, consequentemente, limita o suporte aos preços do óleo de soja.

Milho

O milho encerrou o pregão em baixa na Bolsa de Chicago, em um movimento de realização de lucros após as altas recentes. O contrato com vencimento em dezembro recuou 0,51% e fechou cotado a US$ 5,40 por bushel.

A Agrinvest apontou que a queda acompanhou o movimento do trigo e ocorreu em meio à atuação mais vendedora dos grandes fundos de investimento. O mercado também passou a incorporar a redução das tensões no Mar Negro diante da expectativa de avanços nas negociações, o que diminui parte dos prêmios de risco nas cotações dos grãos.

De acordo com a Granar, a entrada da colheita nos Estados Unidos é outro fator que começa a pesar sobre os preços. Os trabalhos já avançam nas regiões do sul do país e aumentam a expectativa de maior disponibilidade de milho no mercado físico.

Com a combinação entre preços ainda elevados e o avanço da colheita, os produtores americanos também tendem a intensificar as vendas, ampliando a pressão sobre os contratos futuros.

Apesar da queda, o movimento desta quinta-feira representa principalmente uma correção após a valorização recente, com o mercado agora acompanhando a evolução da colheita e o comportamento dos fundos para definir a direção das cotações.

Trigo

O trigo registrou forte queda na Bolsa de Chicago, acompanhando o movimento de baixa observado entre outras commodities agrícolas. O contrato com vencimento em dezembro recuou 2,55% e encerrou o pregão a US$ 7,54 por bushel.

A Agrinvest destacou que a pressão sobre os preços ocorre em meio à redução do prêmio de risco relacionado ao conflito no Mar Negro. O aumento do fluxo de embarques pelo rio Danúbio amplia a oferta disponível para exportação e contribui para aliviar as preocupações com a logística da região.

A Granar apontou que o mercado também acompanha as sinalizações de possíveis avanços nas negociações e os esforços da Turquia para retomar as discussões sobre um corredor de grãos. A eventual retomada desse mecanismo pode facilitar o escoamento da produção e aumentar a disponibilidade do cereal no mercado internacional.