Soja recua em Chicago com demanda fraca da China e pressão do óleo

Contrato julho caiu 0,71% após relatório do USDA e preocupações com consumo chinês

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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Os contratos futuros da soja fecharam em queda nesta quinta-feira (11) na Bolsa de Chicago. O vencimento para julho recuou 0,71% e encerrou o pregão cotado a US$ 11,15 por bushel.

Segundo a Agrinvest, o mercado foi pressionado pela baixa do óleo de soja e pelas expectativas em torno de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, além da repercussão do mais recente relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Os investidores também seguem atentos à demanda chinesa pela soja norte-americana. A consultoria destaca que a crise de rentabilidade da suinocultura na China continua limitando o consumo de farelo de soja. Os preços dos suínos no país permanecem nos menores níveis em mais de quatro anos, cerca de 33% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado.

Com margens negativas desde outubro, produtores chineses vêm reduzindo seus plantéis e acelerando o abate de animais mais jovens. O cenário também tem estimulado a adoção de medidas para reduzir custos na alimentação dos rebanhos, incluindo o maior uso de grãos substitutos à soja.

Milho

No caso do milho, o contrato com vencimento em julho recuou 1,73% e fechou cotado a US$ 4,11 por bushel na Bolsa de Chicago.

Segundo a Granar, o mercado reagiu negativamente ao relatório mensal do USDA, que trouxe poucos fatores de sustentação para os preços e reforçou um cenário de oferta confortável.

Entre os destaques do documento estão o aumento das estimativas de produção na América do Sul e a redução da demanda por milho destinado à produção de etanol nos Estados Unidos.

O clima favorável nas principais regiões produtoras norte-americanas continuou sendo o principal fator de pressão sobre as cotações. As chuvas regulares têm beneficiado a umidade dos solos e o desenvolvimento das lavouras, ampliando as perspectivas para a safra do país.

No relatório, o USDA elevou sua estimativa para a produção de milho do Brasil na safra 2025/26 de 135 milhões para 138 milhões de toneladas. Para a Argentina, a projeção foi revisada de 59 milhões para 61 milhões de toneladas. Apesar do aumento da oferta, o órgão manteve inalteradas as previsões de exportação dos dois países, em 43 milhões de toneladas cada.

Trigo

O relatório mensal do USDA esteve no centro das atenções do mercado de trigo nesta sessão. A divulgação trouxe uma redução nas estimativas de produção e de estoques finais do país, mas o impacto sobre os preços foi limitado.

Na Bolsa de Chicago, o contrato para entrega em julho encerrou o pregão com leve queda de 0,13%, cotado a US$ 5,86 por bushel.

O USDA reduziu sua projeção para a safra norte-americana de trigo em 2026/27 de 42,49 milhões para 42,01 milhões de toneladas. O ajuste refletiu uma revisão para baixo na produtividade média das lavouras, que passou de 31,94 para 31,61 quintais por hectare.

Com isso, a colheita dos Estados Unidos caminha para ser uma das menores das últimas décadas, ficando abaixo da produção registrada em 1972/73 e próxima dos níveis observados na safra 1970/71.

A menor oferta também levou o órgão a revisar os estoques finais do país, que passaram de 20,74 milhões para 20,25 milhões de toneladas. O volume ficou abaixo da expectativa dos analistas privados e bem distante dos 25,44 milhões de toneladas projetados para a temporada 2025/26.