Soja sobe em Chicago com suporte do farelo e margem de esmagamento

Royal Rural aponta demanda externa firme, menor esmagamento nos EUA e possível atraso na chegada da nova safra às indústrias

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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O preço da soja futura ganhou força na sessão desta terça-feira (15) na Bolsa de Chicago, apoiada principalmente pela valorização do farelo, em um cenário de demanda externa firme e oferta do subproduto abaixo do esperado. O contrato para entrega em novembro subiu 1,11% e encerrou negociado a US$ 13,18 por bushel.

Segundo a Royal Rural, o movimento do farelo começa a encontrar fundamentos mais claros. Os compromissos de exportação de soja dos Estados Unidos estão próximos de 18 milhões de toneladas, cerca de 15% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, os prêmios do farelo na América do Sul ficaram mais firmes, tornando o produto norte-americano mais competitivo no mercado internacional.

Pelo lado da oferta, os dados da NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas) mostraram que as indústrias dos Estados Unidos esmagaram 205,456 milhões de bushels de soja em agosto, abaixo da expectativa de 211,553 milhões de bushels. Com menos soja processada, a produção de farelo também fica menor justamente em um momento de demanda aquecida pelo produto.

O mercado ainda monitora as condições climáticas no oeste do cinturão produtor norte-americano. As chuvas fortes e o risco de atrasos na colheita podem retardar temporariamente a chegada da soja nova às indústrias, mantendo algumas plantas operando abaixo da capacidade e limitando a produção de farelo no curto prazo.

A valorização do farelo melhora a margem de esmagamento, já que ele é um dos principais produtos obtidos no processamento da soja. Com maior retorno por tonelada processada, as indústrias ganham espaço para pagar mais pela matéria-prima, aumentando a disputa pela soja e dando suporte às cotações do grão em Chicago.

Além disso, a alta do petróleo, superior a 3% na sessão, também contribuiu para dar sustentação ao complexo de óleos e ajudou a fortalecer o mercado de soja.

Milho

A combinação de fatores externos deu suporte às cotações do milho, embora o avanço tenha sido limitado pelo ritmo da colheita nos Estados Unidos. O contrato para entrega em dezembro subiu 0,47% e encerrou negociado a US$ 5,35 por bushel na Bolsa de Chicago.

Segundo a Granar, a alta do petróleo ajudou a sustentar o mercado ao melhorar as perspectivas para os biocombustíveis, segmento que influencia diretamente a demanda por milho nos Estados Unidos. O cenário de demanda também ganhou força com a necessidade crescente de importação da União Europeia.

O mercado também acompanha as dificuldades enfrentadas pela Ucrânia para escoar milho pela região aumentam as incertezas sobre a oferta disponível no mercado internacional e dão suporte às cotações.

Por outro lado, o avanço da colheita norte-americana impede uma valorização mais acentuada. Com a entrada dos novos grãos, produtores dos Estados Unidos seguem realizando vendas para liberar espaço nos armazéns, aumentando a disponibilidade de milho no mercado no curto prazo.

Trigo

O trigo avançou em Chicago, com os investidores acompanhando as negociações envolvendo Rússia e Ucrânia e os possíveis impactos sobre o fluxo de commodities pelo Mar Negro. O contrato para entrega em dezembro subiu 0,90% e encerrou negociado a US$ 7,28 por bushel.

Segundo a Granar, o mercado segue reagindo principalmente aos desdobramentos relacionados à região do Mar Negro. A possibilidade de uma trégua nos ataques contra a infraestrutura energética de Rússia e Ucrânia trouxe novos elementos para as perspectivas de oferta e logística dos países envolvidos.

O Kremlin afirmou que recebeu positivamente a proposta dos Estados Unidos para uma moratória sobre ataques mútuos contra instalações de energia dos dois países. Moscou, porém, condicionou o avanço da medida à suspensão das sanções que considera ilegais sobre o fornecimento de energia russo.