Trigo sobe 3,06% em Chicago e acumula alta de 19,25% em quatro semanas

Cotações atingem maior nível em três anos, com restrições no Mar Negro entre os principais fatores de sustentação do mercado.

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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Na bolsa de Chicago, o contrato do trigo para entrega em dezembro registrou alta de 3,06% e encerrou o pregão desta sexta-feira (28) cotado a US$ 7,84 por bushel.

Segundo a Granar, os preços do trigo voltaram a avançar nos mercados dos Estados Unidos, completando a quarta semana consecutiva de valorização e atingindo o maior nível em três anos.

De acordo com a Granar, a guerra entre Rússia e Ucrânia continua sendo o principal fator de sustentação para os preços internacionais do trigo. O conflito mantém os embarques pelo Mar Negro restritos justamente em um período do ano em que a região costuma registrar forte movimentação no comércio do cereal.

Soja

O contrato futuro da soja para entrega em novembro fechou o pregão com alta de 1,58% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 12,88 por bushel.

Segundo a Granar, os preços da soja em Chicago avançaram para o maior nível em 26 meses, marcando a terceira semana consecutiva de ganhos. A valorização foi sustentada principalmente pela alta do óleo de soja e pelos fortes ganhos do farelo, diante da expectativa de aumento das oportunidades de negócios no mercado de ração animal caso a oferta de milho nos Estados Unidos seja menor.

O contrato do farelo de soja para setembro subiu US$ 8,82 e encerrou o dia em US$ 372,80 por tonelada. Na semana, a alta foi de 6,45%, ante os US$ 350,20 registrados na sexta-feira anterior.

Para Agrinvest, o complexo da soja mantém trajetória positiva e acumula ganhos nas últimas quatro semanas. A combinação entre a valorização em Chicago e a sustentação dos prêmios mantém um cenário favorável para o mercado, com a soja acumulando alta próxima de US$ 1,50 por saca no período.

Ainda segundo a Agrinvest, as compras foram bastante ativas nesta semana, abrindo oportunidades para produtores brasileiros, esmagadores chineses e exportadores. A concorrência com a Argentina também permanece no radar, especialmente diante da queda dos preços no país.

Milho                                                                                                                                                                                                                                       

O vencimento para dezembro do milho registrou alta de 0,56% e encerrou o dia cotado a US$ 5,36 por bushel.

Em Chicago, o cereal fechou a terceira semana consecutiva de ganhos e atingiu o maior nível em 19 meses. Segundo a Granar, entre os fatores que sustentaram a valorização está a possibilidade de a produção norte-americana ficar abaixo das 406,75 milhões de toneladas projetadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no último relatório mensal.

Outro fator positivo para as cotações foi a perspectiva de uma safra menor na União Europeia, em que as lavouras foram prejudicadas por sucessivas ondas de calor e pela falta de umidade durante boa parte do desenvolvimento das plantas.

Nesse cenário, a Comissão Europeia reduziu, em seu relatório mensal divulgado ontem, a estimativa para a produção de milho do bloco na safra 2026/2027 de 51,90 milhões para 50,10 milhões de toneladas. Se confirmada, a produção será a menor dos últimos 19 anos.

Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia elevou a previsão para as importações de milho da União Europeia de 24 milhões para 25 milhões de toneladas. No relatório de agosto, o USDA projetou produção de 50,20 milhões de toneladas e importações de 23,50 milhões de toneladas para o bloco.