SRB quer análise sobre exclusão de carnes do Brasil na União Europeia

Entidade rural defende investigação sobre os motivos do não cumprimento das exigências europeias para uso de antimicrobianos na produção animal aprovadas em 2019

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) manifestou preocupação com a exclusão do Brasil da lista de países aptos a exportar carnes e outros produtos de origem animal para a União Europeia a partir de setembro deste ano. Em nota divulgada neste domingo (07), a entidade defendeu uma análise aprofundada das razões que levaram à decisão e pediu esclarecimentos sobre o cumprimento das exigências estabelecidas pelo bloco europeu.

Segundo a SRB, o momento exige menos a busca por responsáveis e mais a compreensão dos fatores que impediram o país de atender integralmente às novas regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

"O objetivo principal deve ser identificar os pontos que necessitam correção, aperfeiçoar os processos e fortalecer a capacidade do País de responder às crescentes demandas dos mercados internacionais", afirmou a entidade em nota.

A restrição está relacionada a um regulamento europeu aprovado em 2019 e complementado em 2023, que determinou que países exportadores comprovassem equivalência regulatória em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal. O prazo para adequação sempre esteve fixado para setembro de 2026.

Setor questiona atraso na implementação

Para a SRB, o Brasil possui condições técnicas para cumprir as exigências impostas pela União Europeia. A entidade destaca que o Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISPOA) possui histórico consolidado de credibilidade e que os mecanismos de autocontrole adotados pelo setor privado representam um avanço em eficiência e transparência.

No caso da pecuária bovina, a entidade lembra que o país já opera há anos com o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (SISBOV), utilizado para rastreabilidade animal.

Na avaliação da organização, as adaptações necessárias para atender às exigências adicionais da União Europeia eram tecnicamente viáveis, o que torna necessário compreender por que as etapas exigidas não foram concluídas dentro do cronograma previsto.