Tarifa de 50% ameaça US$ 40 bi em exportações brasileiras, diz Marcos Jank
Coordenador do Insper Agro Global afirma que Brasil precisa de presença diplomática qualificada nos Estados Unidos para negociar as tarifas de importação e que eventual retaliação do governo brasileiro seria "desastroso" para os dois países
Jorge Fernando Rodrigues, da CNN
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As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos enfrentam uma semana decisiva que pode culminar em um cenário "desastroso" para o Brasil, caso se concretize a imposição de uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto. A advertência é do professor e coordenador do centro Insper Agro Global, Marcos Jank, que destaca a reviravolta nas expectativas brasileiras de se beneficiar da guerra comercial de Donald Trump.
"Há cerca de um mês, o Brasil vislumbrava-se como um ganhador no embate comercial, seja pelo superávit comercial americano com o Brasil, seja pela potencial abertura de espaço para exportações brasileiras à China diante das tarifas bilaterais entre EUA e China. No entanto, a ameaça iminente do tarifaço muda drasticamente o panorama, posicionando o Brasil como um perdedor", avalia Jank.
Segundo Jank, que é especialista em sistemas agroalimentares globais e comércio internacional, o impacto potencial das tarifas para o Brasil é enorme. "Cerca de US$ 40 bilhões de dólares em exportações anuais estão em jogo, sendo US$ 10 bilhões de dólares provenientes exclusivamente do agronegócio", afirma.
Setores mais afetados
Dentro do agronegócio, a carne bovina é apontada como o setor mais promissor e, consequentemente, um dos mais vulneráveis. Jank afirma que os Estados Unidos tornaram-se o segundo maior mercado de destino para a carne bovina brasileira, superado apenas pela China, impulsionados pela pior crise da pecuária de corte americana nos últimos 60 anos.
Além da carne, outros produtos essenciais para a balança comercial brasileira com os EUA também estão sob ameaça: suco de laranja e o café.
"O Brasil responde por 70% das importações americanas de suco de laranja, enquanto o café representa 30% das importações. Outros setores importantes que podem ser atingidos incluem madeira e celulose, açúcar e etanol, e até mesmo setores emergentes como pescados e frutas tropicais, que veem nos EUA um mercado muito promissor e muito qualificado", desta Marcos Jank.
Estratégias para evitar mais danos
Diante da gravidade da situação, Jank aponta para a urgência de uma ação estratégica por parte do Brasil. "É crucial ter uma presença constante e qualificada em Washington, focando na negociação e na apresentação da realidade brasileira. O objetivo é demonstrar os impactos negativos que a tarifa traria para os próprios americanos e, em especial, trabalhar em conjunto com o setor privado dos Estados Unidos", ressalta.
Por outro lado, o professor do Insper alerta sobre o que o Brasil não deve fazer: evitar a todo custo uma escalada retaliatória. "Tal medida seria prejudicial para ambos os países e poderia agravar a situação de forma irreversível antes de qualquer melhora. A semana será, portanto, crucial para definir o futuro das relações comerciais entre as duas maiores economias das Américas", finaliza.



